Resumo Rápido

Depende do perfil. Pra iniciante que quer simplicidade: HASH11 (maior liquidez no Brasil). Pra investidor médio focado em custo: QBTC11 (taxa de 0,75% a.a, metade do HASH11). Pra investidor grande ou longo prazo: IBIT da BlackRock nos EUA (taxa 0,12% a.a, mas exige conta americana + carnê-leão).

Brasileiro hoje tem 3 caminhos práticos pra investir em bitcoin via ETF: HASH11 (Hashdex, B3), QBTC11 (QR Capital, B3) e IBIT (BlackRock, EUA via BDR ou conta global). Cada um tem perfil próprio de taxas, liquidez, fiscal e custódia.

Esse comparativo mostra os 3 lado a lado com dados reais — taxa de administração, volume diário, tributação, em que perfil de investidor cada um faz sentido. Por Mr Faria, no mercado cripto desde 2014.

O Que São ETFs de Bitcoin (e Por Que Existem)

ETF de Bitcoin é um fundo negociado em bolsa que segue o preço do bitcoin — você compra cota na B3 ou bolsa americana como se fosse ação, e a gestora cuida da compra/custódia do BTC. A vantagem: você ganha exposição ao BTC sem ter que abrir conta em corretora cripto, fazer KYC duplo, ou se preocupar com custódia (hardware wallet, seed phrase).

A desvantagem: você paga taxa anual de gestão (0,3% a 1,3%), o ETF tem prêmio/desconto sobre o BTC (raramente espelha exato), e você perde a propriedade direta do bitcoin — fica nas mãos do custodiante institucional.

🎯 Quando ETF faz sentido
Pra quem quer exposição ao bitcoin como parte de carteira diversificada via corretora tradicional (Rico, XP, BTG, Itaú), sem complicar com cripto exchange. Pra quem JÁ entende cripto e quer auto-custódia, é mais barato comprar BTC direto. Já avaliamos os 2 caminhos lado a lado em comprar BTC direto vs ETF.

Os 3 ETFs Disponíveis Pro Brasileiro

HASH11
Hashdex Bitcoin · B3 brasileira · taxa ~1,3% a.a
QBTC11
QR Capital · B3 brasileira · taxa ~0,75% a.a
IBIT
iShares BlackRock · NYSE · taxa ~0,12% a.a

HASH11 — Hashdex Nasdaq Bitcoin Reference (B3)

O primeiro ETF de bitcoin do Brasil (lançado em 2021). Gerido pela Hashdex, replica o índice Nasdaq Bitcoin Reference Price. Negociado na B3 sob o ticker HASH11. Custódia institucional via BitGo e outros parceiros internacionais.

Taxa de administração: ~1,3% ao ano (cobrada do patrimônio do fundo, espalhada no preço da cota).

Liquidez: alta pra padrão brasileiro de cripto-ETF — volume diário tipicamente entre R$ 5-15 milhões.

QBTC11 — QR Capital Bitcoin ETF (B3)

Segundo ETF de bitcoin brasileiro, da gestora QR Capital. Lançado em 2021. Estrutura semelhante ao HASH11 mas com taxa menor. Negociado na B3 como QBTC11.

Taxa de administração: ~0,75% ao ano — quase metade do HASH11.

Liquidez: menor que HASH11. Volume diário fica em R$ 1-5 milhões, então spread bid/ask pode ser maior.

IBIT — iShares Bitcoin Trust (NYSE)

O ETF de bitcoin spot da BlackRock (maior gestora do mundo), aprovado pela SEC em janeiro de 2024. Negociado na NYSE americana sob o ticker IBIT. Pra brasileiro, acesso via BDR (BIBI11) ou conta em corretora americana (Avenue, Inter Invest USA, Nomad).

Taxa de administração: ~0,12% ao ano — referência global. É uma das taxas mais baixas do mercado de ETFs cripto.

Liquidez: volume diário em bilhões de dólares. Spread negligenciável.

Tabela Comparativa — Lado a Lado

CaracterísticaHASH11QBTC11IBIT (BlackRock)
GestoraHashdex (BR)QR Capital (BR)BlackRock (EUA)
MercadoB3 — BrasilB3 — BrasilNYSE — EUA
Taxa administração~1,3% a.a~0,75% a.a~0,12% a.a
Liquidez diária (BRL)Alta (R$ 5-15 mi)Média (R$ 1-5 mi)Bilhões (USD)
Tributação BR15% pessoa física15% pessoa física15-22,5% (IR carnê-leão)
Isenção R$ 20 milSim (vendas mensais até R$ 20K)Sim (vendas mensais até R$ 20K)Não (ativo no exterior)
Custódia BTCInstitucional (BitGo)InstitucionalCoinbase Custody
Como comprarHome broker BRHome broker BRAvenue/Nomad/BDR
DCBE obrigatórioNãoNãoSim (>USD 1 milhão)
⚠️ Atenção pra tributação no exterior
Quem investe em IBIT direto via conta americana paga IR via carnê-leão mensal (15-22,5% sobre ganho), com regras de capital no exterior. Acima de USD 1 milhão também precisa fazer DCBE no Banco Central. Por isso, brasileiro pequeno costuma preferir HASH11/QBTC11 (mais simples fiscal) e brasileiro grande pode preferir IBIT (mais barato em taxa).

Pra Cada Perfil, Um ETF Diferente

🎯 Iniciante brasileiro que quer começar simples

HASH11 é o caminho. Maior liquidez, marca conhecida (Hashdex tem programas de mídia), compra direto no app da Rico, Inter, BTG ou XP. Tributação igual de ação (15%) com isenção pra vendas mensais até R$ 20K. Taxa de 1,3% incomoda no longo prazo mas é o "preço do conforto" pra começar.

💰 Investidor médio focado em custo

QBTC11 é melhor. Metade da taxa do HASH11 (0,75% vs 1,3%) — em 5 anos, essa diferença pode chegar a 3-4% do patrimônio só em taxa. Sacrifica liquidez (spread maior), mas pra hold de longo prazo, não importa.

🚀 Investidor grande / longo prazo / quer menor taxa

IBIT da BlackRock é o ideal. 0,12% de taxa é absurdamente baixo (10x menor que HASH11). Mas exige abrir conta em corretora americana (Avenue ou Nomad), fazer carnê-leão mensal, declarar capital no exterior. Compensa a partir de aproximadamente R$ 50.000 investidos — abaixo disso, complicação fiscal não vale a economia de taxa.

🧠 Avançado / quer auto-custódia

Nenhum ETF. Compra BTC direto na corretora cripto. Você paga 0% de taxa anual (só taxa de transação no momento da compra), tem isenção mensal de R$ 35K em ganho de capital (em vez de R$ 20K dos ETFs), e tem custódia própria via hardware wallet. Pra esse caminho, eu uso Bybit (futuros + spot avançado) ou BingX (iniciante com copy trade). Aprofundo o trade-off em ETF vs comprar BTC direto.

ETF é caminho válido. Quem quer dominar mercado precisa entender custódia também.

No curso Trader Competente eu mostro como combinar ETF (parte do patrimônio em corretora tradicional) com BTC direto (parte com auto-custódia) — arquitetura de portfólio inteira pra brasileiro que pensa em décadas, não em meses.

Ver planos →

Vantagens e Riscos de ETFs de Bitcoin

✅ A favor
  • Sem KYC duplo — usa conta na corretora tradicional que você já tem
  • Sem custódia técnica — não precisa hardware wallet ou guardar seed
  • Tributação simples — declarado igual ação na B3
  • Isenção mensal R$ 20K (HASH11/QBTC11) facilita pra venda esporádica
  • Maior aceitação institucional (fundos, family offices)
  • Spread baixo em hora útil (especialmente IBIT)
❌ Contra
  • Taxa anual drena retorno no longo prazo (1,3% a.a. de HASH11 = 13% em 10 anos)
  • Não é bitcoin real — você não tem chave privada nem auto-custódia
  • Negocia só em horário de bolsa (BTC negocia 24/7)
  • Prêmio/desconto pode descolar do preço spot do BTC
  • Risco do custodiante institucional (Coinbase, BitGo)
  • Isenção menor (R$ 20K) que cripto direto (R$ 35K)

💡 Onde eu opero desde 2014: Bybit (avançado/futuros) e BingX (iniciante/copy trade). Pelos meus links você ainda recebe cashback no TaxaBack.

Como Comprar Cada Um — Passo Prático

HASH11 ou QBTC11 (B3)

  1. Abra conta em qualquer corretora B3 (Rico, XP, BTG, Inter, Nu Invest — depende da preferência)
  2. No app/home broker, busque HASH11 ou QBTC11
  3. Compre como ação — quantidade mínima de 1 cota (~R$ 30 cada, mais ou menos)
  4. O ETF aparece na sua carteira igual qualquer ação
  5. Pra IR, é tratado como ação: ganho de capital com isenção mensal de R$ 20K em vendas

IBIT (BlackRock, NYSE)

  1. Abra conta em corretora americana pra brasileiros (Avenue, Nomad, Inter Invest USA) ou compre BDR via B3
  2. Faça remessa internacional via TED/SWIFT (geralmente USD 100 mínimo)
  3. Compre IBIT no app dela como compraria uma ação americana
  4. Carnê-leão mensal sobre ganho de capital realizado (15-22,5% conforme tabela)
  5. Declarar no IR anual como Bens e Direitos no exterior
  6. Acima de USD 1 milhão, fazer DCBE no Banco Central
❌ Cuidado com BDR de ETF
BDRs de ETFs americanos (como BIBI11) existem mas liquidez é baixíssima e spread é alto. Pra investimento sério em IBIT, melhor abrir conta americana direta. BDR só vale pra valor pequeno e operação esporádica.