Hack na bridge da Tx movimenta 200 mil XRP

A bridge da Tx entre a Tx Chain e o XRP Ledger foi explorada no sábado, 9 de agosto de 2026, permitindo que um invasor retirasse aproximadamente 200 mil XRP, avaliados em cerca de R$ 1 milhão.

O problema estava no software responsável por identificar depósitos recebidos pela ponte. De acordo com a Tx, uma falha fazia com que determinadas transações fossem registradas como depósitos de XRP mesmo quando nenhum XRP havia sido efetivamente recebido.

Isso permitiu que o atacante obtivesse saldos sem lastro na Tx Chain. Depois de criar esses créditos fraudulentos, ele utilizou a própria bridge para convertê-los em XRP real disponível no XRP Ledger.

A empresa divulgou detalhes do incidente em uma publicação no X em 11 de agosto, dois dias depois da exploração. A Tx informou que a ponte havia sido interrompida, que a vulnerabilidade já tinha sido identificada e que diferentes alternativas para lidar com o caso estavam sendo avaliadas.

XRP Ledger revela 94 pagamentos suspeitos

Uma análise da XRPL, plataforma independente de análise e negociação ligada ao XRP Ledger, detalhou o comportamento da bridge durante o ataque.

Segundo o levantamento, a ponte liberou aproximadamente 199.916 XRP em 94 pagamentos, realizados ao longo de apenas 97 minutos. O número mostra que o invasor não precisou de uma única transação para retirar todo o valor.

Cada transferência precisava da aprovação de 17 dos 28 relayers da bridge. Esses programas acompanham as duas blockchains envolvidas e participam da validação das operações que atravessam a ponte.

A análise indicou que os relayers acabaram tratando como depósitos reais algumas transações que o próprio atacante havia enviado para seus próprios endereços. Com isso, o sistema liberou XRP real com base em créditos que não possuíam depósito correspondente.

Dado do ataqueInformação
Data da exploração9 de agosto de 2026
XRP roubadoaproximadamente 200 mil
Valor estimadoR$ 1 milhão
XRP liberado pela bridge199.916
Número de pagamentos94
Duração97 minutos
Relayers necessários17 de 28

A mecânica é importante para entender o caso: o invasor não precisou retirar diretamente XRP da blockchain por meio de uma invasão convencional de uma carteira. Ele explorou a diferença entre o que o software acreditava ter recebido e o que realmente havia sido depositado.

Falha de software criou XRP sem lastro

A Tx explicou que seu sistema registrava determinadas operações como depósitos legítimos mesmo sem a entrega efetiva de XRP. Isso permitia a criação de saldo correspondente dentro da Tx Chain.

Com esse saldo artificialmente criado, o atacante conseguia solicitar a retirada através da bridge. O sistema então liberava XRP real do outro lado da conexão, transformando o crédito sem lastro em ativo efetivamente existente no XRP Ledger.

A Tx afirmou que o ecossistema havia passado por auditorias internas e de terceiros antes de entrar em operação, mas nenhuma delas identificou a vulnerabilidade explorada no ataque.

A própria Tx foi lançada em março e surgiu da fusão entre a blockchain Coreum e a Sologenic, plataforma de tokenização e negociação baseada no XRP Ledger. O incidente, portanto, atingiu uma infraestrutura relativamente recente dentro desse ecossistema.

Uma hipótese inicial chegou a apontar para o chamado “rippling” do XRP Ledger, mecanismo relacionado à movimentação de tokens emitidos entre trust lines. A análise da XRPL rejeitou essa explicação porque XRP nativo não pode ser movimentado dessa maneira e porque os pagamentos suspeitos foram assinados pela carteira multisig da própria bridge.

Hacker converte XRP e envia para Tornado Cash

Após retirar os XRP da bridge, o invasor teria iniciado uma sequência para dificultar o rastreamento dos fundos.

Reza Bashash, sócio da CoreNest Capital e cofundador da Sologenic e da Coreum, afirmou que o atacante converteu os XRP roubados para Ethereum.

Depois, os fundos foram transferidos para a rede Ethereum utilizando a THORChain. Por fim, o valor foi enviado ao Tornado Cash, serviço conhecido por misturar transações e dificultar a identificação do caminho percorrido pelos criptoativos.

Essa movimentação adiciona uma etapa importante à investigação porque os ativos deixaram o XRP Ledger e passaram por outras infraestruturas antes de chegar ao serviço de mistura.

Para quem acompanha XRP, isso também significa que o caso não está restrito à bridge da Tx. O rastreamento dos ativos envolve agora diferentes redes e serviços utilizados depois do roubo.

Tx suspende bridge e aciona FBI

A resposta da Tx começou com a suspensão da bridge, interrompendo temporariamente as operações entre a Tx Chain e o XRP Ledger. A empresa também informou ter corrigido o código considerado vulnerável.

Além da correção, a Tx iniciou o rastreamento dos fundos e registrou uma denúncia no Internet Crime Complaint Center (IC3), unidade do FBI voltada para crimes digitais.

A companhia também contratou especialistas em perícia forense de blockchain e afirmou estar trabalhando com parceiros de segurança para avaliar alternativas de compensação aos usuários prejudicados.

A ponte continua fora do ar enquanto a revisão de segurança é concluída. A Tx afirmou ainda que os usuários afetados não precisam realizar nenhuma ação e alertou sobre sites e contas falsas que prometem recuperar os fundos roubados, um risco adicional após incidentes desse tipo.

Apesar do ataque, o impacto no preço do XRP foi limitado. O token associado à Ripple continuava sendo negociado perto de US$ 1, com valor de mercado de aproximadamente US$ 64 bilhões e queda de cerca de 5,5% nos 30 dias anteriores.

O caso agora depende da investigação forense, do rastreamento dos aproximadamente 200 mil XRP retirados e da definição sobre eventuais medidas de compensação. Enquanto a bridge permanecer suspensa, a prioridade para quem utiliza a infraestrutura da Tx é acompanhar os comunicados oficiais e evitar qualquer serviço paralelo que prometa recuperar os valores.