Tether apresenta auditoria completa da KPMG

A Tether, emissora do USDT, anunciou em 13 de agosto de 2026 que a KPMG US, uma das quatro maiores empresas de auditoria do mundo, concluiu sua primeira auditoria financeira completa das demonstrações da Tether International referentes ao exercício de 2025.

O resultado foi uma opinião sem ressalvas, classificação utilizada pelos auditores quando não identificam problemas relevantes na apresentação das demonstrações financeiras analisadas. Para a Tether, o resultado representa um passo diferente das divulgações e atestações que a companhia vinha apresentando anteriormente.

A auditoria examinou uma quantidade ampla de informações relacionadas à operação financeira da empresa. Entre os itens analisados estavam ativos, passivos, receitas, fluxos de caixa, sistemas internos, registros, contrapartes e documentação de suporte.

O anúncio ganha importância porque a Tether é responsável pelo USDT, maior stablecoin do mercado. O token busca manter paridade com o dólar e é amplamente utilizado em negociações e transferências dentro do mercado de criptomoedas.

A própria empresa classificou o trabalho como a “maior auditoria financeira inaugural da história”, destacando a extensão da revisão conduzida pela KPMG. O resultado, porém, precisa ser interpretado corretamente: uma opinião sem ressalvas não significa que a KPMG esteja garantindo os negócios da Tether ou assumindo que a companhia será capaz de cumprir todas as suas obrigações futuras.

KPMG verifica reservas e barras de ouro

Um dos pontos mais específicos divulgados pela Tether envolve as reservas de ouro da empresa. Segundo a companhia, a KPMG não se limitou a analisar relatórios fornecidos por custodiantes ou contrapartes.

Durante o processo, os auditores contaram e inspecionaram fisicamente cada barra de ouro individual mantida pela Tether. A equipe também verificou a existência das barras e suas respectivas informações de identificação.

Esse procedimento foi destacado pela empresa porque representa uma verificação física dos ativos, em vez de uma análise baseada exclusivamente em documentos produzidos por terceiros.

A revisão também incluiu os demais componentes das demonstrações financeiras da Tether International. Isso significa que o trabalho não ficou restrito à existência dos ativos que sustentam o USDT, mas envolveu também passivos, receitas, movimentações de caixa, controles internos e registros financeiros.

Item analisadoAuditoria da KPMG
Empresa auditadaTether International
Período financeiro2025
AuditorKPMG US
ResultadoOpinião sem ressalvas
AtivosAnalisados
PassivosAnalisados
ReceitasAnalisadas
Fluxos de caixaAnalisados
Sistemas internosAnalisados
Barras de ouroInspeção física individual

Para o mercado, a diferença relevante está no alcance da auditoria. A Tether vinha sendo acompanhada há anos por meio de divulgações sobre suas reservas, mas agora apresentou uma auditoria financeira completa realizada por uma das empresas integrantes das chamadas Big Four.

USDT e histórico de questionamentos sobre a Tether

A relação da Tether com suas reservas é acompanhada de perto há anos. A própria reportagem relembra episódios anteriores envolvendo questionamentos sobre as informações financeiras e o lastro do USDT.

Em fevereiro de 2021, a Tether chegou a um acordo com o estado de Nova York em um processo judicial e pagou US$ 18,5 milhões em multa relacionada a uma lacuna em suas finanças.

Meses depois, em outubro de 2021, a Comissão de Negociação de Contratos Futuros de Mercadorias (CFTC) aplicou uma multa de US$ 41 milhões à Tether por alegações relacionadas à afirmação de que o USDT era totalmente lastreado por dólares americanos.

O histórico ajuda a explicar por que uma auditoria realizada por uma empresa como a KPMG possui peso relevante para a discussão sobre transparência da Tether. Ao mesmo tempo, esses episódios anteriores não devem ser confundidos com o resultado da auditoria anunciada agora.

O documento referente a 2025 recebeu uma opinião sem ressalvas, mas isso não equivale a uma garantia de solvência futura ou a uma certificação de que todos os riscos da empresa desapareceram.

Tether já havia contratado uma Big Four

A movimentação para uma auditoria completa começou a ganhar forma antes do anúncio desta quinta-feira. Em março de 2026, a Tether revelou que havia contratado uma empresa integrante das Big Four, mas naquele momento não informou publicamente qual delas havia sido escolhida.

Dias depois, a KPMG foi identificada como a empresa responsável pela auditoria do USDT. A PwC, outra das grandes empresas globais de contabilidade, ajudou a Tether na preparação de seus sistemas internos.

A participação de diferentes empresas em funções distintas mostra que o processo envolveu tanto a estruturação dos sistemas quanto a análise independente das demonstrações financeiras.

No anúncio atual, a Tether apresentou o resultado da auditoria como uma demonstração de que seus controles e sua governança financeira acompanharam o crescimento da companhia.

O CEO da Tether, Paolo Ardoino, afirmou que a empresa chegou a um estágio de maior complexidade financeira e operacional e associou a auditoria à evolução de sua infraestrutura de governança.

Para o investidor que acompanha o mercado de stablecoins, o ponto concreto é que a empresa responsável pelo maior stablecoin agora apresenta uma auditoria financeira completa referente a 2025, com parecer sem ressalvas da KPMG.

Auditoria do USDT muda o nível de transparência?

A principal questão para o mercado agora é o que esse resultado representa para a confiança no USDT. A auditoria fornece uma análise independente das demonstrações financeiras da Tether International, mas não elimina automaticamente todos os riscos relacionados à companhia ou ao próprio stablecoin.

A distinção é importante porque uma opinião sem ressalvas não é uma garantia de que a Tether poderá cumprir suas obrigações em qualquer cenário futuro. O parecer indica que, segundo os procedimentos realizados, as demonstrações financeiras foram apresentadas adequadamente dentro dos critérios aplicáveis.

Para quem utiliza USDT no trading, o anúncio é relevante principalmente porque aumenta a quantidade de informações disponíveis sobre a estrutura financeira da emissora. O mercado pode acompanhar agora não apenas as divulgações periódicas da Tether, mas também o resultado de uma auditoria realizada pela KPMG.

A notícia também ocorre em um período no qual stablecoins estão recebendo atenção crescente de instituições financeiras e reguladores. A própria KPMG vem tratando de ativos digitais em seus materiais de 2026, incluindo questões contábeis, controles, custódia e riscos associados a stablecoins. :contentReference[oaicite:1]{index=1}

Para o trader brasileiro, entretanto, não há motivo para interpretar o anúncio como sinal automático de alta para Bitcoin ou para o mercado cripto. O dado mais objetivo é outro: a Tether conseguiu obter uma opinião sem ressalvas da KPMG sobre suas demonstrações financeiras de 2025, depois de uma revisão que incluiu ativos, passivos, fluxos de caixa, controles internos e até a inspeção física de suas barras de ouro.