Solana chega perto do limite de finalização

A Solana (SOL) passou por um incidente de infraestrutura nesta quarta-feira, 12 de agosto de 2026, que levou a rede muito perto do nível em que deixaria de finalizar transações. Uma única rota mal configurada em um provedor de hospedagem fez com que 28,83% do SOL em staking ficasse temporariamente fora do ar.

O limite crítico da rede é de 33,34% de indisponibilidade. Isso significa que o incidente alcançou aproximadamente 86% do caminho até uma interrupção da finalização, ficando apenas 4,51 pontos percentuais abaixo desse nível.

O problema não começou dentro do código da blockchain, mas em uma falha de roteamento da Teraswitch, empresa responsável por parte da infraestrutura de hospedagem utilizada pelos validadores. A companhia publicou posteriormente uma explicação sobre o ocorrido e informou que o serviço foi restaurado às 04:16:15 UTC.

A América do Norte não foi afetada pelo problema. Já 12 sites em Londres, Amsterdã, Dublin, Frankfurt, Singapura e Tóquio ficaram sem uma rota válida para encaminhar o tráfego.

Teraswitch explica falha de roteamento

A origem do incidente esteve em uma rota padrão do site da Teraswitch em Miami. Essa rota foi propagada com suas métricas e comunidades removidas, fazendo com que um refletor de rotas localizado em Amsterdã a divulgasse para regiões da Europa e da Ásia-Pacífico.

Os roteadores de borda dessas regiões interpretaram a rota como se tivesse origem local. Com isso, passaram a preferi-la em relação à rota correta e encaminharam o tráfego para o núcleo do data center, que rejeitou a rota por considerá-la inválida.

O efeito foi a perda de conectividade de diversos validadores localizados nos pontos afetados. Segundo a explicação da Teraswitch, engenheiros identificaram a falha em apenas dez minutos, permitindo a restauração do serviço às 04:16:15 UTC.

O episódio mostra que a disponibilidade da Solana não depende exclusivamente da operação dos validadores. A conectividade entre esses participantes também pode ser afetada por problemas externos à blockchain, especialmente quando diferentes validadores utilizam infraestrutura concentrada em determinados provedores, regiões ou sistemas autônomos.

Marinade revela concentração de staking

O protocolo de staking Marinade Finance analisou o incidente e identificou uma concentração importante em um único sistema autônomo. O AS20326 carregava 118.890.767 SOL, equivalente a mais de um quarto de todo o SOL em staking na rede.

Durante os mesmos minutos do problema, 94% desse montante ficou fora do ar. O número chamou atenção porque o programa de delegação da Fundação Solana estabelece um limite de 25% do staking para qualquer sistema autônomo, enquanto o AS20326 representava 27,34%.

A Marinade também calculou que 59 validadores, responsáveis por 80,2 milhões de SOL, voltaram a ficar online praticamente na mesma janela de tempo em Amsterdã, Frankfurt e Tóquio. Esses validadores aguardaram a recuperação do roteamento em vez de migrarem imediatamente para outra infraestrutura.

A concentração não ficou limitada a um único provedor. Outros 14,1 milhões de SOL também ficaram offline durante os mesmos minutos em latitude.sh, Limestone, Butterfly Research e Allnodes, embora a Marinade tenha afirmado que não conseguiu explicar essa parcela a partir dos dados disponíveis.

Helius ficou fora por 33 minutos

Entre os validadores afetados estava a Helius, considerada pela reportagem o segundo maior validador da Solana. A empresa permaneceu offline durante os 33 minutos completos do incidente.

A Marinade conseguiu medir 74 operadores e identificou três que retornaram de forma considerada limpa: Laine e Cogent Crypto, ambos operados pela Sol Strategies, além da Lion3d.

O levantamento também levou a Marinade a analisar sua própria estrutura de delegação. A empresa constatou que quatro sistemas autônomos concentram dois terços do staking distribuído pelo seu modelo de alocação.

Um deles, o AS395201, representa sozinho 36,94% desse staking. A Marinade afirmou que pretende revisar seus limites de concentração por rede e por data center e passar a divulgar informações sobre o uso de hot swap e failover automático pelos validadores, algo que atualmente não pode ser determinado externamente.

Dado do incidenteNúmero
SOL em staking offline28,83%
Limite de finalização33,34%
Diferença até o limite4,51 pontos percentuais
SOL no AS20326118.890.767 SOL
Participação do AS2032627,34%
Validadores afetados medidos74
Validadores analisados no incidente90
SOL parados em 59 validadores80,2 milhões
SOL offline em outros provedores14,1 milhões
Recompensas perdidas333 SOL

Incidente custou 333 SOL em recompensas

Os números levantados pela Marinade indicam que os 90 validadores afetados perderam 333 SOL em recompensas durante o período de indisponibilidade. Essas perdas serão cobertas por garantias dos próprios validadores ao final da época.

O cenário poderia ter sido muito mais grave caso a inadimplência tivesse ultrapassado um terço do staking. Nesse caso, segundo a reportagem, nenhuma transação seria finalizada para qualquer detentor de SOL, e as garantias dos validadores não seriam suficientes para cobrir esse cenário.

A Solana já enfrentou uma paralisação completa anteriormente. Em fevereiro de 2024, a rede ficou parada por quase cinco horas até ser reiniciada.

O episódio desta quarta-feira foi diferente porque a rede permaneceu abaixo do limite de 33,34% necessário para interromper a finalização. Ainda assim, a proximidade do limite colocou em evidência a concentração de infraestrutura entre validadores.

Para o trader brasileiro, o ponto mais importante não é interpretar o incidente automaticamente como uma nova paralisação da Solana. O serviço foi restaurado, mas os dados da Marinade mostram que a distribuição geográfica, os provedores de hospedagem e os sistemas autônomos usados pelos validadores podem alterar o risco operacional da rede.