Scott Bessent reforça compromisso com reserva de Bitcoin

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, voltou a defender a criação de uma reserva estratégica de Bitcoin durante uma audiência realizada em 3 de junho no Comitê de Finanças do Senado. Questionado por parlamentares sobre o andamento da iniciativa, o secretário afirmou que o governo está trabalhando rapidamente para transformar a proposta em realidade.

Segundo Bessent, a criação da reserva faz parte de uma estratégia mais ampla relacionada aos ativos digitais e à segurança econômica americana. Durante sua fala, ele declarou que "segurança econômica é segurança nacional" e associou o projeto à política econômica adotada pela administração do presidente Donald Trump.

O secretário também ressaltou que o governo pretende construir uma estrutura sólida e duradoura para o setor, evitando medidas apressadas que possam gerar problemas futuros.

Governo cita desafios tecnológicos e busca projeto durável

Ao explicar por que o processo ainda não foi concluído, Bessent destacou que o Bitcoin e os ativos digitais representam um território relativamente novo para os formuladores de políticas públicas.

Segundo ele, a reserva estratégica envolve questões técnicas, jurídicas e operacionais que exigem planejamento cuidadoso. O secretário afirmou que a equipe do Tesouro está utilizando as melhores práticas disponíveis para garantir que qualquer iniciativa adotada tenha validade de longo prazo.

Além disso, Bessent mencionou que espera trabalhar em conjunto com parlamentares e suas equipes para desenvolver uma estrutura considerada sustentável para os próximos anos.

O secretário também demonstrou expectativa pela aprovação do Clarity Act, projeto que busca estabelecer regras mais claras para o mercado de ativos digitais nos Estados Unidos.

Projeto de Cynthia Lummis prevê compra de 1 milhão de bitcoins

Enquanto o Tesouro trabalha na estrutura da reserva, o Congresso americano já possui propostas concretas sobre o tema. A principal delas foi apresentada pela senadora Cynthia Lummis, uma das maiores defensoras do Bitcoin dentro do Senado.

O projeto protocolado por Lummis prevê que os Estados Unidos adquiram 1 milhão de bitcoins ao longo do tempo. Na cotação mencionada pela reportagem, essa quantidade corresponde a aproximadamente US$ 65,7 bilhões.

IndicadorValor
Compra proposta1.000.000 BTC
Participação na oferta total4,76%
Valor estimadoUS$ 65,7 bilhões
Oferta máxima de Bitcoin21 milhões de BTC

Caso a proposta avance, os Estados Unidos passariam a deter uma das maiores reservas estratégicas de Bitcoin do mundo.

Estoque atual de Bitcoin do governo gera debate

Dados da empresa de monitoramento blockchain Arkham indicam que o governo americano mantém atualmente 328.354 bitcoins em suas carteiras, avaliados em cerca de US$ 21,6 bilhões.

Entretanto, esses números não representam necessariamente ativos disponíveis para uma reserva estratégica permanente. Grande parte dos bitcoins foi obtida por meio de apreensões judiciais e está vinculada a processos envolvendo vítimas e disputas legais.

Um levantamento publicado em julho de 2025 apontava que apenas 28.988 BTC poderiam ser utilizados livremente pelo governo sem restrições judiciais.

Essa diferença é importante porque parte do mercado costuma considerar o total mantido nas carteiras governamentais sem levar em conta as obrigações legais relacionadas a esses ativos.

Comparação com as reservas de ouro dos EUA

A discussão sobre uma reserva estratégica de Bitcoin frequentemente é comparada à posição histórica dos Estados Unidos no mercado de ouro.

Atualmente, o país possui aproximadamente 8.133 toneladas de ouro, mantendo a liderança mundial entre os bancos centrais e governos nacionais. A Alemanha, segunda colocada, possui cerca de 3.350 toneladas.

Defensores da proposta argumentam que o Bitcoin possui características semelhantes às do ouro devido à sua escassez programada. Como a oferta máxima está limitada a 21 milhões de unidades, muitos investidores enxergam a criptomoeda como uma versão digital da reserva de valor tradicional.

Essa comparação vem sendo utilizada por parlamentares e participantes do mercado para justificar uma eventual política de acumulação de BTC pelo governo americano.

Mercado acompanha próximos passos da administração Trump

As declarações de Bessent ganharam relevância porque parte dos investidores esperava sinais mais concretos sobre o cronograma da reserva estratégica.

No início do ano, o secretário já havia afirmado que os Estados Unidos não pretendiam vender seus bitcoins confiscados. Agora, o foco do mercado passa a ser entender se o governo adotará apenas uma política de retenção dos ativos já existentes ou se avançará para compras adicionais.

A eventual implementação de uma reserva estratégica representaria uma mudança histórica na forma como o governo americano encara o Bitcoin. Além disso, a iniciativa poderia influenciar decisões semelhantes em outros países que acompanham de perto as políticas econômicas dos Estados Unidos.

Por enquanto, o governo afirma estar trabalhando na estrutura do projeto, enquanto investidores aguardam novas informações sobre cronograma, quantidade de ativos envolvidos e possíveis mecanismos de aquisição.