Ouro lidera ganhos com forte demanda da China

O destaque dos mercados nesta quarta-feira foi o ouro, que avançou 2,8%, alcançando US$ 4.213 por onça, seu maior nível desde 22 de junho. Segundo dados citados pela Bloomberg, a valorização foi impulsionada pelo interesse contínuo de investidores chineses, que realizaram 14 dias consecutivos de entradas líquidas em ETFs de ouro negociados no mercado doméstico.

Apesar de junho ter registrado o maior volume histórico de saídas nesses fundos, de acordo com o Conselho Mundial do Ouro, o desempenho acumulado de 2026 continua relevante. As entradas líquidas no ano somam 40 bilhões de yuans, aproximadamente US$ 5,6 bilhões, representando o segundo melhor primeiro semestre da série histórica.

Outro fator citado foi a atuação do Banco Popular da China, que continuou ampliando suas reservas de ouro. Segundo os dados apresentados, o banco central acumulou 82 toneladas do metal ao longo dos 20 meses encerrados em junho, ajudando a sustentar a demanda no mercado físico e financeiro.

O Conselho Mundial do Ouro também destacou que investidores institucionais aumentaram sua participação nos ETFs chineses de ouro, reforçando o fluxo comprador mesmo em um cenário de incertezas econômicas e geopolíticas.

S&P 500 renova máxima histórica

Enquanto o ouro ganhava força, o mercado acionário americano também apresentou desempenho positivo. O índice S&P 500 chegou a superar 7.793 pontos, estabelecendo um novo recorde histórico durante o pregão antes de devolver parte dos ganhos.

Embora as bolsas tenham alternado momentos de alta e baixa ao longo do dia, o comportamento geral permaneceu favorável aos ativos de risco. O avanço do índice reforçou o contraste com o desempenho recente do Bitcoin, que continuou operando praticamente sem direção definida.

O analista de ETFs da Bloomberg, Eric Balchunas, chamou atenção para a amplitude da alta do mercado. Segundo ele, 66% das ações do S&P 500 estavam negociando acima de suas médias móveis de 50 dias, enquanto 57% superavam o próprio desempenho do índice, indicando participação relativamente ampla na valorização.

Esses números sugerem que o movimento positivo não ficou concentrado apenas nas maiores empresas do índice, mas envolveu uma parcela significativa das companhias listadas.

Bitcoin permanece preso na região dos US$ 64 mil

Enquanto ouro e ações avançavam, o Bitcoin continuou negociado próximo de US$ 64.000, registrando mais um dia de desempenho inferior ao observado em outros mercados.

Dados da TradingView mostraram que a principal criptomoeda permaneceu praticamente estável durante a abertura de Wall Street, sem conseguir acompanhar o apetite dos investidores por ativos considerados mais tradicionais.

No curto prazo, a região dos US$ 64 mil continua sendo o principal ponto de atenção para traders. O mercado segue monitorando se esse nível será suficiente para iniciar uma recuperação ou se servirá apenas como resistência dentro do atual movimento lateral.

A falta de força compradora também mantém investidores atentos ao comportamento dos fluxos institucionais e das condições macroeconômicas que costumam influenciar o mercado de criptomoedas.

Analistas ainda enxergam risco de nova pressão no BTC

O trader e analista Rekt Capital afirmou que o gráfico semanal continua apontando uma sequência de máximas descendentes enquanto determinados níveis técnicos permanecerem válidos.

Segundo sua análise, caso o suporte atual continue produzindo recuperações cada vez mais fracas, o Bitcoin poderá permanecer oscilando dentro da faixa entre US$ 58.000 e US$ 66.000, sem confirmação de uma reversão estrutural.

A leitura reforça que, mesmo com outros ativos renovando máximas, o BTC ainda não demonstrou força suficiente para iniciar um movimento consistente de alta.

CryptoQuant aponta três condições para recuperação

A plataforma de análise on-chain CryptoQuant publicou um estudo indicando que uma recuperação mais sustentável do Bitcoin dependerá de três fatores principais.

Segundo a empresa, o mercado precisa observar:

CondiçãoSituação apontada
Fluxos para ETFs spot de Bitcoin nos EUAPrecisam continuar positivos
Rendimentos dos Treasuries americanosDevem recuar
Expectativa para juros do Federal ReserveSem novas altas esperadas

Além desses fatores, a CryptoQuant voltou a destacar a importância do Coinbase Premium, indicador que mede a diferença de preço entre os pares BTC/USDT negociados na Coinbase e em uma grande exchange internacional.

De acordo com a plataforma, essa métrica permanece negativa há quase 80 dias, indicando uma demanda relativamente mais fraca por parte dos investidores que utilizam a Coinbase. Para a empresa, o retorno desse indicador ao território positivo seria mais um sinal favorável para uma recuperação consistente do preço do Bitcoin.