DIGY11 chega à B3 em setembro
A OranjeBTC (B3: OBTC3) anunciou em 12 de agosto de 2026 o lançamento do Digital Yield ETF (DIGY11), fundo de índice que será listado na B3 e terá como foco ações preferenciais internacionais de empresas ligadas ao ecossistema Bitcoin. A estreia está prevista para o início de setembro de 2026.
O produto é diferente dos ETFs tradicionais que acompanham diretamente o preço do Bitcoin. Em vez de comprar BTC, o DIGY11 investirá em ações preferenciais emitidas por companhias que mantêm Bitcoin como reserva de valor em seus balanços.
A carteira inicial será formada por papéis de duas empresas americanas: Strategy, por meio do STRC, e Strive, por meio do SATA. As duas companhias utilizam esses instrumentos para buscar geração de renda recorrente em dólar enquanto mantêm reservas relevantes de Bitcoin.
Para o investidor brasileiro, o produto adiciona uma nova alternativa de exposição ao ecossistema do Bitcoin dentro da infraestrutura tradicional da B3. O fundo será negociado em reais e terá liquidez diária, segundo a OranjeBTC.
Strategy e Strive formam carteira inicial
A estrutura do DIGY11 está baseada no conceito de “Digital Credit”, categoria criada pela Strategy para instrumentos de ações preferenciais associados à sua estratégia financeira. A Strive passou a atuar nesse segmento posteriormente, quando lançou o SATA em novembro de 2025.
Segundo os dados apresentados pela OranjeBTC, o SATA captou mais de US$ 780 milhões desde seu lançamento. A estratégia das duas empresas combina instrumentos preferenciais com reservas de caixa e Bitcoin mantidas nos próprios balanços.
A OranjeBTC afirma que, considerando as obrigações anuais de distribuição das duas companhias, as reservas combinadas de caixa e Bitcoin equivalem a aproximadamente 30 anos de pagamentos aos preços atuais. Esse indicador é apresentado como uma medida de cobertura patrimonial da estratégia.
É importante separar essa cobertura de uma garantia de pagamento. A própria OranjeBTC ressalta que o indicador não assegura rentabilidade nem o recebimento das distribuições, porque os ativos utilizados como respaldo continuam pertencendo aos balanços dos emissores.
Rendimento estimado chega a CDI + 5%
Um dos principais pontos apresentados pela OranjeBTC é a expectativa de distribuição. Nas condições atuais de mercado, a gestora estima que o DIGY11 possa distribuir o equivalente a CDI + 3% a CDI + 5% ao ano.
Essa projeção não considera a eventual valorização ou desvalorização das cotas do fundo. Portanto, o retorno total do investidor dependerá tanto das distribuições quanto da variação do preço do próprio DIGY11 na B3.
A OranjeBTC também deixa claro que a estimativa não é garantida e pode mudar de acordo com as condições de mercado. A estrutura está diretamente relacionada ao desempenho financeiro dos ativos preferenciais que compõem a carteira.
O fundo terá taxa de gestão de 0,90% ao ano, enquanto o custo total estimado será de 1,30% ao ano. A tributação das distribuições deverá seguir uma alíquota de 15%, de acordo com as informações divulgadas pela empresa.
A estrutura pode interessar ao investidor que busca renda periódica relacionada ao ecossistema Bitcoin sem comprar diretamente BTC. Mas o mecanismo de retorno é diferente de simplesmente manter Bitcoin em carteira, porque envolve ações preferenciais, emissores corporativos e os riscos associados aos próprios instrumentos.
ETF terá proteção cambial e pagamentos mensais
Outro elemento relevante para o investidor brasileiro é a proteção cambial. Embora os ativos da carteira sejam instrumentos internacionais e estejam ligados a empresas americanas, o DIGY11 terá estrutura protegida contra a variação cambial, além de distribuir os pagamentos aos cotistas em reais.
A gestão do fundo ficará a cargo da 3R Investimentos, enquanto o índice de referência será calculado pela MarketVector, braço de índices do grupo VanEck. A administração fiduciária ficará sob responsabilidade do Banco Daycoval.
O índice utilizado pelo produto recebeu o nome de MarketVector Bitcoin Treasury Preferred Equity BRL Hedged Index. Ele seleciona ações preferenciais de companhias abertas ligadas ao ecossistema Bitcoin usando critérios como liquidez, participação do Bitcoin no balanço, tamanho das reservas e nível de alavancagem.
Também existem limites para impedir a inclusão de emissores que ultrapassem determinados níveis definidos pela metodologia. Dessa forma, a composição não depende simplesmente de quais empresas possuem Bitcoin, mas segue critérios específicos para seleção dos papéis.
Para o investidor, isso significa que a carteira do DIGY11 poderá mudar conforme as regras do índice. A exposição ao ecossistema Bitcoin, portanto, será obtida por meio de um conjunto de instrumentos preferenciais selecionados pela metodologia, e não pela posse direta de BTC.
Michael Saylor apoia lançamento do DIGY11
O lançamento recebeu apoio público de Michael Saylor, fundador da Strategy. Segundo a reportagem, Saylor classificou o crédito digital como uma nova classe de ativos e destacou a chegada do STRC aos investidores latino-americanos por meio de um veículo local e regulado.
Matt Cole, presidente do conselho e CEO da Strive, também comentou o lançamento. Para ele, o segmento está deixando de depender de uma única empresa e passando a contar com múltiplos emissores e demanda internacional.
Do lado da OranjeBTC, Guilherme Gomes, fundador e CEO da companhia, afirmou que o DIGY11 foi desenvolvido a partir das estratégias adotadas por Strategy e Strive no mercado de capitais americano. A proposta da empresa é transformar essa estrutura em um produto local, negociado em reais e acessível pela B3.
A iniciativa amplia a atuação da OranjeBTC, que até então estava associada principalmente à gestão de sua própria tesouraria em Bitcoin. Com o DIGY11, a empresa passa a desenvolver também produtos financeiros relacionados à economia digital.
Para o investidor brasileiro, o ponto prático será acompanhar a estreia do fundo no início de setembro, verificar a composição efetiva da carteira e comparar o rendimento distribuído com os custos de 0,90% de gestão e 1,30% de custo total estimado. A promessa de CDI + 3% a 5% é uma estimativa nas condições atuais, e não uma rentabilidade assegurada.