Bitcoin perde suporte de US$ 73 mil

O Bitcoin caiu para US$ 72.712 nesta quinta-feira (28), atingindo sua mínima intradiária em meio a uma forte deterioração do sentimento no mercado. No momento da publicação da matéria original, o BTC era negociado perto de US$ 73.330, acumulando queda de 3,3% em 24 horas, segundo dados do CoinGecko.

O desempenho recente também segue pressionado em janelas maiores. Na semana, o ativo acumulava retração de aproximadamente 6%, enquanto no acumulado anual a desvalorização chegava a 33%. O movimento contrasta com o mercado acionário dos Estados Unidos, onde o índice S&P 500 permanecia apenas 0,25% abaixo da máxima histórica de 7.539 pontos, impulsionado principalmente pelo setor de inteligência artificial.

A perda da faixa dos US$ 73 mil aumentou a volatilidade nos derivativos e acelerou ordens automáticas de liquidação em diversas exchanges.

Liquidações chegam perto de US$ 1 bilhão

Segundo dados da CoinGlass, o mercado registrou US$ 931 milhões em liquidações em apenas 24 horas. Mesmo com o Bitcoin caindo menos de 4%, o volume de posições encerradas automaticamente chamou atenção pela intensidade.

O dado reforça que muitos traders permaneciam operando com alta alavancagem, especialmente em contratos futuros. Nas últimas semanas, o BTC vinha oscilando em uma faixa entre US$ 77 mil e US$ 78 mil, o que incentivou parte do mercado a aumentar exposição em busca de movimentos rápidos.

Quando o preço rompe regiões importantes de suporte, plataformas de derivativos executam liquidações automáticas de posições excessivamente alavancadas. Esse processo costuma gerar um efeito cascata:

O movimento atingiu não apenas o Bitcoin, mas também diversas altcoins, ampliando a correção do mercado como um todo.

ETFs de Bitcoin ampliam pressão vendedora

Outro fator relevante para a queda foi a continuidade das saídas nos ETFs de Bitcoin à vista negociados nos Estados Unidos. Dados da SoSoValue mostraram que os fundos acumularam US$ 1,02 bilhão em saídas apenas nos três primeiros dias desta semana.

A sequência negativa já vinha acontecendo anteriormente. Nas duas semanas anteriores, os ETFs haviam registrado retiradas de aproximadamente:

PeríodoSaídas
Semana anteriorUS$ 1,26 bilhão
Duas semanas atrásUS$ 1 bilhão
Semana atual (3 dias)US$ 1,02 bilhão

Além disso, o mercado também repercutiu uma movimentação envolvendo o ETF IBIT, da BlackRock. Cerca de US$ 1,3 bilhão do produto mudaram de mãos no mercado de balcão (“dark pool”) na terça-feira.

Embora a operação tenha ocorrido fora dos livros públicos de ordens, especialistas avaliaram o episódio como um possível sinal negativo para o fluxo institucional de curto prazo.

Justin d’Anethan, chefe de pesquisa da consultoria Arctic Digital, afirmou ao Decrypt que os resgates sugerem uma “recalibração direcional real”, e não apenas realização pontual de lucros ou hedge temporário.

Tensão entre EUA e Irã aumenta aversão ao risco

O cenário macroeconômico também pesou sobre o mercado cripto. A escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã elevou o clima de cautela global, principalmente após novos confrontos próximos ao Estreito de Ormuz nas últimas 48 horas.

O cessar-fogo que durava cerca de um mês passou a ser tratado pelo mercado como frágil, aumentando preocupações sobre oferta global de petróleo e inflação internacional.

Como consequência, o petróleo bruto WTI passou a ser negociado próximo de US$ 92 por barril. No mercado de previsões Myriad, controlado pela empresa Dastan — dona do Decrypt — os usuários passaram a atribuir 58% de probabilidade de o WTI atingir US$ 120, acima dos 54% registrados no dia anterior.

Historicamente, momentos de tensão geopolítica costumam provocar migração de capital para ativos considerados mais defensivos, reduzindo apetite por mercados voláteis como criptomoedas.

Mercado teme novas quedas do Bitcoin

O sentimento do mercado também piorou rapidamente nas plataformas de previsão e derivativos. Usuários do Myriad passaram a atribuir 38% de chance de o Bitcoin cair até US$ 55 mil, contra 22% registrados apenas uma semana antes.

Adam Haeems, chefe de gestão de ativos do Tesseract Group, afirmou ao Decrypt que a combinação entre saídas de ETFs, profundidade reduzida do livro de ofertas e manchetes macroeconômicas aumentou significativamente a sensibilidade do preço.

Segundo ele, o índice premium da Coinbase permaneceu negativo tanto durante o rali anterior quanto durante a correção atual, indicando enfraquecimento da demanda spot nos Estados Unidos.

O executivo também destacou que a liquidez reduzida nas books da Coinbase faz com que qualquer notícia macro tenha impacto maior sobre o preço, mesmo sem mudanças estruturais no mercado.

Para traders de curto prazo, o cenário segue marcado por volatilidade elevada e movimentos rápidos nos derivativos, especialmente enquanto persistirem as incertezas envolvendo fluxo institucional e tensões geopolíticas globais.