Harmony ONE sofre ataque e tem nova emissão

A Harmony (ONE) foi alvo de um ataque na noite de 11 de agosto de 2026, depois que hackers conseguiram criar aproximadamente 4 bilhões de tokens sem autorização. A equipe do projeto reconheceu o incidente e passou a trabalhar em uma correção para os validadores da rede.

O tamanho da emissão chamou atenção porque a oferta circulante da ONE era de aproximadamente 15 bilhões de tokens antes do ataque. Dessa forma, as novas unidades representam cerca de 27% da quantidade que já estava em circulação, provocando uma forte alteração na estrutura de oferta do ativo.

O perfil Juiceberg, no X, foi um dos primeiros a divulgar informações sobre a exploração, por volta das 22h42 de terça-feira, 11 de agosto, pelo horário de Brasília. A análise on-chain apontava a criação de bilhões de ONE por meio de blocos vazios e movimentações posteriores para plataformas de negociação.

Poucas horas depois, a própria Harmony confirmou que havia ocorrido um ataque. Os desenvolvedores passaram a trabalhar com plataformas do mercado para tentar impedir a movimentação dos fundos associados às moedas criadas de forma fraudulenta.

Hacker movimentou bilhões de ONE

Segundo os dados apresentados na reportagem, aproximadamente 2,8 bilhões de ONE foram rapidamente enviados para exchanges depois da criação dos tokens. O valor corresponde a uma parcela significativa das moedas emitidas durante a exploração.

O perfil Juiceberg também afirmou que aproximadamente 97% dos tokens recém-criados foram depositados em plataformas de negociação, indicando que os responsáveis pelo ataque prepararam os endereços utilizados para tentar transformar as moedas em liquidez.

A Harmony informou posteriormente que rastreou 10.288 transferências relacionadas aos tokens emitidos fraudulentamente. Essas movimentações estavam distribuídas por 409 carteiras, permitindo que a equipe identificasse centenas de depósitos considerados suspeitos.

A partir desse levantamento, o projeto alertou plataformas parceiras sobre as transações. Segundo a atualização divulgada pela Harmony, as plataformas bloquearam as carteiras associadas ao hacker.

IndicadorDado
Tokens ONE criadosaproximadamente 4 bilhões
Oferta circulante anterioraproximadamente 15 bilhões
Participação da nova emissãoaproximadamente 27%
ONE enviados para exchanges2,8 bilhões
Carteiras identificadas409
Transferências rastreadas10.288
Queda do ONE37%

A diferença entre a oferta anterior e a quantidade criada durante o ataque ajuda a explicar a intensidade da reação do mercado. Não se tratou apenas da retirada de ativos de determinadas carteiras: o incidente envolveu criação de novas unidades do próprio token, alterando a quantidade disponível no mercado.

Preço da ONE despenca 37%

A reação do mercado foi imediata. A ONE caiu 37% depois que as informações sobre a exploração começaram a circular, refletindo a preocupação dos participantes com a emissão extraordinária e com a possibilidade de venda dos tokens criados pelo atacante.

O movimento ocorreu enquanto a equipe ainda investigava como a exploração foi executada. Até a publicação da reportagem, os desenvolvedores não haviam divulgado uma explicação técnica detalhada sobre a causa do ataque.

A Harmony já havia reconhecido o problema e informado que trabalhava em conjunto com plataformas de negociação para congelar os fundos relacionados ao invasor. A estratégia buscava reduzir a quantidade de tokens que poderia chegar ao mercado enquanto a equipe desenvolvia uma solução para a rede.

A criptomoeda é negociada em diversas grandes plataformas internacionais. Para o investidor, entretanto, o ponto central neste momento não é apenas onde o token continua disponível, mas qual será o tratamento dado às unidades criadas durante a exploração.

Harmony pausa bridge e atualiza validadores

Uma das primeiras medidas adotadas pela Harmony foi pausar o serviço de bridge, utilizado para conversão e movimentação de ativos entre diferentes redes. A interrupção reduz temporariamente uma das rotas pelas quais tokens poderiam ser transferidos enquanto o projeto trabalha para conter o incidente.

Além disso, os desenvolvedores lançaram um patch de emergência para os validadores da rede. Na última atualização mencionada pela reportagem, 53% da rede já havia concluído a atualização.

O objetivo imediato da atualização é impedir que a vulnerabilidade continue permitindo a criação não autorizada de ONE. A correção, porém, não resolve sozinha o problema dos aproximadamente 4 bilhões de tokens que já haviam sido criados.

É justamente por isso que a equipe passou a discutir alternativas para tratar o histórico da blockchain. Entre as possibilidades apresentadas está o rollback, mecanismo que permitiria retornar a rede para um ponto anterior ao ataque e desfazer as alterações posteriores àquele momento.

Rollback pode alterar histórico da blockchain

A Harmony informou inicialmente que estava analisando uma correção e diferentes opções de rollback. Em atualizações posteriores, a equipe indicou que o retorno da blockchain para um momento anterior ao ataque havia se tornado a alternativa prática mais aceita.

A proposta é relevante porque o problema não envolve somente as carteiras controladas pelo invasor. Os 4 bilhões de ONE foram distribuídos por centenas de endereços, e milhares de transferências foram registradas depois da emissão.

Um rollback poderia alterar transações realizadas após o ponto escolhido pela equipe. Por isso, a definição de como e até onde retornar a blockchain é uma questão operacional importante para usuários, validadores e plataformas que processam ONE.

A Harmony ainda trabalhava no plano quando a reportagem foi publicada. Portanto, o rollback deve ser tratado como uma possibilidade em avaliação, e não como uma alteração definitiva já concluída na rede.

Para quem possui ONE, o cenário exige atenção principalmente às atualizações oficiais do projeto e às condições de depósitos e saques. Enquanto a bridge permanece pausada e a rede recebe o patch, movimentações podem estar sujeitas a restrições ou mudanças relacionadas à resposta ao ataque.

O episódio também traz uma diferença importante em relação a um ataque convencional contra uma carteira. Quando bilhões de tokens são criados de forma não autorizada, o impacto potencial atinge diretamente a oferta do ativo, além das carteiras que receberam os tokens. É esse efeito que torna a evolução do caso especialmente relevante para quem acompanha a Harmony.