Visão do fundador da CryptoQuant sobre o mercado cripto

Ki Young Ju, fundador da CryptoQuant, declarou que 99,9% das criptomoedas existentes podem ser consideradas “lixo” do ponto de vista de valor de longo prazo. A fala foi publicada em suas redes sociais e repercutiu entre investidores e analistas do setor. Segundo ele, isso não significa que o mercado como um todo seja inválido, mas sim que a maioria dos projetos não deve sobreviver aos próximos ciclos.

O executivo reforça que a leitura não é de rejeição total ao mercado cripto, mas sim de seleção mais rígida. Para ele, o amadurecimento do setor está separando projetos especulativos daqueles com fundamentos reais. A mensagem central é que sobrevivência no longo prazo dependerá cada vez mais de uso prático e geração de receita.

Fim das altcoins baseadas apenas em narrativa

Ju afirma que o mercado passou por diferentes fases narrativas, como DeFi e memecoins, que impulsionaram ciclos anteriores. No entanto, ele destaca que o valor de mercado dessas categorias não conseguiu ultrapassar de forma consistente os níveis vistos em 2021, sinalizando perda de força estrutural.

Segundo ele, altcoins que dependem apenas de narrativa já não sustentam mais ciclos de valorização prolongados. A lógica de criar tokens sem utilidade clara teria perdido força em um ambiente mais institucionalizado e competitivo. Esse movimento indica uma mudança de comportamento dos investidores, que passam a exigir mais do que hype.

O analista também reforça que “a maioria é lixo não é o mesmo que todas são lixo”, destacando a importância de separar exageros especulativos de projetos com potencial real.

Três setores que ainda podem sobreviver no mercado

Apesar da visão crítica, Ki Young Ju aponta três grandes categorias que ainda podem se sustentar no longo prazo. A primeira são empresas globais de internet que utilizam tokenização como camada de mercado, permitindo integração entre serviços e ativos digitais.

Ele cita como exemplo projetos ligados a ecossistemas como a TON do Telegram e a BNB de uma grande exchange global, que funcionam como extensão de plataformas já consolidadas. Nesse caso, o token se conecta diretamente a uma base real de usuários e receita.

DeFi com receita real e projetos de infraestrutura

O segundo grupo destacado envolve protocolos DeFi com geração real de receita, e não apenas incentivos inflacionários. Um dos exemplos mencionados no mercado é a Hyperliquid, cujo token HYPE figura entre os maiores do setor em capitalização.

Já o terceiro grupo inclui projetos ligados à tokenização de ativos tradicionais e infraestrutura tecnológica, como stablecoins, ações tokenizadas e soluções para integração com inteligência artificial. Para Ju, esse tipo de aplicação tende a ganhar espaço à medida que o mercado se conecta mais com o sistema financeiro tradicional.

Mercado entra em fase mais institucional e seletiva

Na visão do fundador da CryptoQuant, o mercado cripto está entrando em uma fase mais madura, com maior participação institucional e menor tolerância a projetos sem utilidade concreta. Ele compara essa transição a ciclos anteriores de tecnologia, onde apenas poucas empresas sobreviveram após a bolha inicial.

Essa mudança, segundo ele, não significa estagnação, mas sim consolidação. O crescimento tende a ser mais lento, porém mais sustentável, com maior integração ao sistema financeiro global. O foco deixa de ser apenas especulação e passa a incluir geração de valor real.