Tesouro dos EUA amplia sanções contra empresas iranianas

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, por meio do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), anunciou sanções contra a Persian Gulf Marine Insurance Company e a HormuzSafe Marine Services Authority. Segundo o governo americano, ambas integravam uma rede de seguros marítimos apoiada pela Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC).

De acordo com o OFAC, embarcações comerciais que transitavam pelo Estreito de Ormuz precisavam adquirir coberturas aprovadas por essa estrutura. As duas empresas passaram a ser classificadas como integrantes do setor financeiro iraniano para fins das sanções americanas.

Além dessas medidas, os Estados Unidos também sancionaram oito empresas ligadas à chamada frota paralela iraniana e identificaram oito embarcações como propriedade bloqueada.

Bitcoin aparece entre os meios de pagamento citados pelo OFAC

O ponto que chamou atenção do mercado de criptomoedas foi a acusação de que a HormuzSafe aceitava Bitcoin (BTC) e outros ativos digitais como forma de pagamento.

Segundo o Departamento do Tesouro, o uso desses ativos faria parte de um mecanismo destinado a contornar sanções econômicas impostas ao Irã e gerar receitas para a IRGC. O governo americano afirma ainda que essa estrutura fortalecia o controle iraniano sobre a navegação no Estreito de Ormuz.

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, declarou que o país não permitirá que o governo iraniano utilize o comércio marítimo internacional para financiar a Guarda Revolucionária Islâmica, acusando o regime de explorar uma rota estratégica para sustentar suas atividades.

HormuzSafe já havia surgido em relatos anteriores

A HormuzSafe não apareceu pela primeira vez nesta semana.

Em 18 de maio de 2026, capturas de tela atribuídas ao site da plataforma circularam na internet mostrando uma proposta de "seguro digital" para cargas marítimas, com possibilidade de pagamento das apólices em Bitcoin.

Na ocasião, os relatos indicavam que o projeto ainda estaria sendo considerado pelo governo iraniano, e o site permanecia inacessível durante verificações realizadas pela imprensa.

A Fars News Agency, agência estatal do Irã, informou anteriormente que a plataforma poderia emitir apólices de seguro marítimo e certificados de responsabilidade financeira, além de potencialmente movimentar mais de US$ 10 bilhões em receitas.

Estreito de Ormuz segue no centro da disputa

O caso ganha relevância porque o Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais importantes do mundo.

Segundo a notícia, aproximadamente um quinto do comércio global de petróleo passa pela hidrovia. Isso significa que qualquer tentativa de controlar ou monetizar a navegação na região pode produzir impactos relevantes sobre os mercados internacionais de energia.

Relatórios anteriores, citando o Bitcoin Policy Institute, afirmavam que o Irã aceitava pagamentos relacionados ao transporte de petróleo em yuan chinês, Tether (USDT) e Bitcoin.

No entanto, esses mesmos relatos destacavam que não havia evidências on-chain comprovando que pagamentos em Bitcoin efetivamente haviam ocorrido.

Criptomoedas e sanções continuam no foco das autoridades

O episódio mostra que ativos digitais continuam sendo monitorados pelas autoridades americanas dentro da política de sanções internacionais.

Segundo a reportagem, um dos fatores que torna o Bitcoin atrativo para países sujeitos a restrições econômicas é o fato de não possuir um emissor centralizado capaz de congelar ativos.

O cenário é diferente das stablecoins centralizadas, cujos emissores podem bloquear determinados endereços quando solicitados pelas autoridades.

Como exemplo, a matéria relembra que, em abril de 2026, autoridades americanas congelaram US$ 344 milhões em USDT ligados ao Irã. Esse episódio reforça as diferenças operacionais entre o Bitcoin e ativos digitais emitidos por empresas privadas, especialmente em ambientes sujeitos a sanções econômicas internacionais.