Os Estados Unidos ampliaram significativamente a pressão financeira sobre o Irã ao anunciar a apreensão de aproximadamente US$ 1 bilhão em criptomoedas ligadas ao país. A informação foi divulgada por Scott Bessent, secretário do Tesouro americano, durante participação no Reagan National Economic Forum, realizado na Califórnia.

Segundo Bessent, as autoridades americanas assumiram o controle direto de carteiras digitais vinculadas a entidades iranianas. O secretário chegou a afirmar que alguns dos responsáveis pelos fundos talvez ainda não tenham percebido que perderam acesso aos ativos.

A declaração marca uma nova escalada no uso de ferramentas ligadas ao mercado cripto dentro da estratégia geopolítica dos Estados Unidos contra o regime iraniano.

Operation Economic Fury amplia cerco financeiro ao Irã

A apreensão faz parte da Operation Economic Fury, operação lançada em março de 2025 pelo governo americano. O objetivo é enfraquecer a capacidade financeira do Irã por meio de múltiplas frentes.

De acordo com o Tesouro dos EUA, a campanha inclui:

Durante o evento, Bessent afirmou que a combinação entre ações militares recentes e a pressão econômica teria levado o governo iraniano a uma situação financeira crítica. Segundo ele, o país foi praticamente isolado de importantes canais internacionais de financiamento.

A operação se tornou um dos principais instrumentos americanos para monitorar movimentações financeiras que utilizam blockchain e stablecoins como alternativa ao sistema bancário tradicional.

Valor apreendido dobrou em apenas um mês

O anúncio chama atenção porque representa um salto relevante em relação aos números divulgados anteriormente pelo próprio governo americano.

DataValor informado
24 de abril de 2026US$ 344 milhões congelados
Final de abril de 2026US$ 500 milhões apreendidos
30 de maio de 2026US$ 1 bilhão apreendido

Os US$ 344 milhões citados anteriormente estavam ligados a carteiras sancionadas pelo Office of Foreign Assets Control (OFAC) em 24 de abril. Poucos dias depois, o Tesouro informou que o total apreendido já havia alcançado aproximadamente US$ 500 milhões.

Agora, pouco mais de um mês depois, o valor divulgado praticamente dobrou novamente, chegando à marca de US$ 1 bilhão.

Até o momento, as autoridades americanas não detalharam quais criptomoedas compõem esse montante nem quais carteiras específicas foram afetadas.

Tesouro aponta deterioração econômica do regime iraniano

Durante o fórum econômico, Scott Bessent apresentou uma série de indicadores que, segundo ele, demonstram o enfraquecimento financeiro do Irã.

O secretário afirmou que, antes das intervenções americanas, o regime estaria desviando entre US$ 400 milhões e US$ 500 milhões por mês, distribuídos entre aproximadamente 80 líderes ligados ao governo.

Bessent também declarou que:

As informações foram apresentadas como parte da justificativa americana para manter a pressão financeira sobre o país.

O governo dos Estados Unidos também citou a dificuldade de conduzir negociações diplomáticas após ataques que atingiram integrantes importantes da estrutura de liderança iraniana.

Bitcoin aparece em planos ligados ao Estreito de Ormuz

Enquanto sofre pressão internacional, o Irã também vem estudando alternativas envolvendo ativos digitais.

Documentos citados pela agência estatal Fars News Agency, veículo frequentemente associado à Guarda Revolucionária Islâmica, apontam a criação de uma plataforma chamada Hormuz Safe.

O projeto prevê um sistema de seguro marítimo baseado em Bitcoin, com pagamentos realizados diretamente na blockchain.

Segundo o documento mencionado pela imprensa internacional, a iniciativa poderia gerar mais de US$ 10 bilhões em receitas para o país.

O plano estaria relacionado ao controle estratégico do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes para o transporte global de petróleo.

Tarifas em Bitcoin também entraram no radar iraniano

Outra proposta mencionada anteriormente por representantes do setor energético iraniano envolve a cobrança de taxas utilizando Bitcoin.

Em abril, um porta-voz da União dos Exportadores de Petróleo, Gás e Produtos Petroquímicos do Irã afirmou que determinados navios poderiam receber autorização para atravessar o Estreito de Ormuz mediante o pagamento de uma tarifa de US$ 1 por barril de petróleo em Bitcoin.

Embora o governo americano não tenha ligado diretamente as apreensões de criptomoedas a esse projeto específico, a crescente utilização de ativos digitais pelo Irã passou a receber atenção cada vez maior das autoridades de Washington.

O caso reforça como o mercado cripto vem sendo incorporado não apenas ao setor financeiro, mas também a disputas envolvendo sanções internacionais, comércio global e segurança geopolítica.