Os Estados Unidos ampliaram significativamente a pressão financeira sobre o Irã ao anunciar a apreensão de aproximadamente US$ 1 bilhão em criptomoedas ligadas ao país. A informação foi divulgada por Scott Bessent, secretário do Tesouro americano, durante participação no Reagan National Economic Forum, realizado na Califórnia.
Segundo Bessent, as autoridades americanas assumiram o controle direto de carteiras digitais vinculadas a entidades iranianas. O secretário chegou a afirmar que alguns dos responsáveis pelos fundos talvez ainda não tenham percebido que perderam acesso aos ativos.
A declaração marca uma nova escalada no uso de ferramentas ligadas ao mercado cripto dentro da estratégia geopolítica dos Estados Unidos contra o regime iraniano.
Operation Economic Fury amplia cerco financeiro ao Irã
A apreensão faz parte da Operation Economic Fury, operação lançada em março de 2025 pelo governo americano. O objetivo é enfraquecer a capacidade financeira do Irã por meio de múltiplas frentes.
De acordo com o Tesouro dos EUA, a campanha inclui:
- Apreensão de criptomoedas;
- Congelamento de contas bancárias;
- Sanções financeiras;
- Cooperação com países europeus para confiscar propriedades e ativos.
Durante o evento, Bessent afirmou que a combinação entre ações militares recentes e a pressão econômica teria levado o governo iraniano a uma situação financeira crítica. Segundo ele, o país foi praticamente isolado de importantes canais internacionais de financiamento.
A operação se tornou um dos principais instrumentos americanos para monitorar movimentações financeiras que utilizam blockchain e stablecoins como alternativa ao sistema bancário tradicional.
Valor apreendido dobrou em apenas um mês
O anúncio chama atenção porque representa um salto relevante em relação aos números divulgados anteriormente pelo próprio governo americano.
Os US$ 344 milhões citados anteriormente estavam ligados a carteiras sancionadas pelo Office of Foreign Assets Control (OFAC) em 24 de abril. Poucos dias depois, o Tesouro informou que o total apreendido já havia alcançado aproximadamente US$ 500 milhões.
Agora, pouco mais de um mês depois, o valor divulgado praticamente dobrou novamente, chegando à marca de US$ 1 bilhão.
Até o momento, as autoridades americanas não detalharam quais criptomoedas compõem esse montante nem quais carteiras específicas foram afetadas.
Tesouro aponta deterioração econômica do regime iraniano
Durante o fórum econômico, Scott Bessent apresentou uma série de indicadores que, segundo ele, demonstram o enfraquecimento financeiro do Irã.
O secretário afirmou que, antes das intervenções americanas, o regime estaria desviando entre US$ 400 milhões e US$ 500 milhões por mês, distribuídos entre aproximadamente 80 líderes ligados ao governo.
Bessent também declarou que:
- A inflação iraniana teria ultrapassado 200%;
- Programas de distribuição de vales-alimentação estão em andamento;
- Houve interrupções de acesso à internet;
- Entre 40% e 50% das tropas iranianas estariam sem receber salários.
As informações foram apresentadas como parte da justificativa americana para manter a pressão financeira sobre o país.
O governo dos Estados Unidos também citou a dificuldade de conduzir negociações diplomáticas após ataques que atingiram integrantes importantes da estrutura de liderança iraniana.
Bitcoin aparece em planos ligados ao Estreito de Ormuz
Enquanto sofre pressão internacional, o Irã também vem estudando alternativas envolvendo ativos digitais.
Documentos citados pela agência estatal Fars News Agency, veículo frequentemente associado à Guarda Revolucionária Islâmica, apontam a criação de uma plataforma chamada Hormuz Safe.
O projeto prevê um sistema de seguro marítimo baseado em Bitcoin, com pagamentos realizados diretamente na blockchain.
Segundo o documento mencionado pela imprensa internacional, a iniciativa poderia gerar mais de US$ 10 bilhões em receitas para o país.
O plano estaria relacionado ao controle estratégico do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes para o transporte global de petróleo.
Tarifas em Bitcoin também entraram no radar iraniano
Outra proposta mencionada anteriormente por representantes do setor energético iraniano envolve a cobrança de taxas utilizando Bitcoin.
Em abril, um porta-voz da União dos Exportadores de Petróleo, Gás e Produtos Petroquímicos do Irã afirmou que determinados navios poderiam receber autorização para atravessar o Estreito de Ormuz mediante o pagamento de uma tarifa de US$ 1 por barril de petróleo em Bitcoin.
Embora o governo americano não tenha ligado diretamente as apreensões de criptomoedas a esse projeto específico, a crescente utilização de ativos digitais pelo Irã passou a receber atenção cada vez maior das autoridades de Washington.
O caso reforça como o mercado cripto vem sendo incorporado não apenas ao setor financeiro, mas também a disputas envolvendo sanções internacionais, comércio global e segurança geopolítica.