ETFs de Bitcoin registram maior saída de junho

Os ETFs spot de Bitcoin listados nos Estados Unidos encerraram a quinta-feira (26) com saídas líquidas de US$ 696,3 milhões, segundo dados da SoSoValue. O volume superou a maior retirada registrada anteriormente em junho, de US$ 519,2 milhões, observada em 2 de junho.

Com esse novo resgate, as saídas acumuladas no mês alcançaram US$ 3,61 bilhões. No acumulado de 2026, os fundos já registram US$ 4,6 bilhões em saídas líquidas, refletindo um período de menor demanda por exposição ao Bitcoin através de produtos negociados em bolsa.

O movimento ocorreu em meio à queda do Bitcoin para abaixo da região de US$ 60 mil, aumentando a cautela entre investidores institucionais.

Patrimônio dos fundos recua mais de 50%

Além das retiradas de recursos, a queda do preço do Bitcoin também reduziu significativamente o patrimônio administrado pelos ETFs.

Segundo a SoSoValue, os ativos líquidos desses fundos chegaram ao recorde de US$ 169,5 bilhões em outubro de 2025. Na sexta-feira (26), esse valor havia recuado para aproximadamente US$ 72,6 bilhões, uma redução próxima de 57% em relação ao pico.

Dados da WalletPilot mostram ainda que os ETFs mantinham aproximadamente 1,24 milhão de BTC sob custódia na terça-feira anterior. Nos últimos 30 dias, cerca de 63.500 BTC deixaram esses produtos, acompanhando o movimento de resgates observado nas últimas semanas.

IndicadorValor
Saída líquida em 26 de junhoUS$ 696,3 milhões
Saídas acumuladas em junhoUS$ 3,61 bilhões
Saídas acumuladas em 2026US$ 4,6 bilhões
Patrimônio no pico (out/2025)US$ 169,5 bilhões
Patrimônio atualUS$ 72,6 bilhões
BTC sob custódia1,24 milhão de BTC
BTC retirados em 30 dias63.500 BTC

Strategy reduz ritmo de compras

Outro fator destacado pela reportagem é a desaceleração da Strategy, maior empresa detentora de Bitcoin entre as companhias abertas.

Documentos da companhia indicam que foram adquiridos aproximadamente 3.600 BTC em junho, número inferior aos cerca de 25.000 BTC comprados em maio e aos mais de 50.000 BTC adquiridos em abril.

A empresa também realizou uma venda líquida de 32 BTC no início do mês, um movimento incomum dentro de sua estratégia histórica de acumulação contínua.

Essa mudança passou a alimentar discussões entre analistas sobre a conveniência de preservar caixa durante períodos de maior pressão no mercado.

Pressão sobre ações e debate entre analistas

A desaceleração coincidiu com um momento de fraqueza das ações preferenciais perpétuas STRC, emitidas pela Strategy.

Os papéis encerraram o pregão de quinta-feira cotados a US$ 75,69, queda de 6,37%, permanecendo abaixo do nível de referência de US$ 100 definido pela empresa.

Analistas da CryptoQuant levantaram questionamentos sobre o momento das compras recentes de Bitcoin e sobre a gestão de risco adotada pela companhia.

Em sentido oposto, Samson Mow, defensor do Bitcoin, afirmou que a STRC possui um mecanismo de autorregulação. Segundo ele, quando as ações permanecem abaixo de US$ 100, a empresa interrompe emissões pelo programa ATM, reduzindo a oferta de novos papéis.

Fluxo institucional continua no radar

A combinação entre resgates expressivos dos ETFs e a redução das compras da Strategy reforça a atenção do mercado sobre o comportamento da demanda institucional.

Embora os ETFs continuem administrando dezenas de bilhões de dólares em ativos e mantenham mais de um milhão de Bitcoins sob custódia, o volume recente de retiradas mostra que parte dos investidores optou por reduzir exposição durante a queda do mercado.

Para quem acompanha o Bitcoin, os fluxos dos ETFs permanecem como um dos principais indicadores de curto prazo. Entradas e saídas desses produtos não determinam sozinhas a direção do preço, mas ajudam a medir o apetite dos investidores institucionais em diferentes momentos do ciclo.