Stablecoins passam o Bitcoin na América Latina

As stablecoins se tornaram a categoria de criptoativo mais comprada pelos usuários da Bitso na América Latina durante 2025. Segundo a quinta edição do relatório "Panorama Cripto na América Latina", os dólares digitais USDC e USDT responderam juntos por 40% de todas as compras realizadas na plataforma nos quatro principais mercados analisados: Brasil, Argentina, Colômbia e México. :contentReference[oaicite:1]{index=1}

O dado marca a primeira vez em que as stablecoins superam o Bitcoin em participação de compras dentro do levantamento. O movimento indica uma mudança no comportamento dos usuários da região, que passaram a utilizar ativos digitais não apenas para exposição ao mercado cripto, mas também como forma de acesso ao dólar. :contentReference[oaicite:2]{index=2}

A tendência aparece em um momento em que diversos países latino-americanos convivem com inflação elevada, volatilidade cambial e restrições de acesso a moedas fortes.

USDC lidera compras entre os investidores

Entre todos os ativos analisados, o USDC foi o mais comprado da região, representando 24% das aquisições registradas pela Bitso durante 2025.

Na sequência aparecem o Bitcoin, com 18%, e o USDT, com 16%. Somadas, as duas principais stablecoins lastreadas em dólar ficaram muito à frente do principal criptoativo do mercado. :contentReference[oaicite:3]{index=3}

AtivoParticipação nas compras
USDC24%
Bitcoin (BTC)18%
USDT16%
USDC + USDT40%

Os números mostram que o interesse por exposição ao dólar digital superou a busca por valorização do Bitcoin dentro da amostra analisada pela corretora.

Argentina impulsiona busca por dólar digital

A Argentina aparece como um dos principais motores dessa mudança de comportamento. Segundo a Bitso, o uso de stablecoins cresceu fortemente em economias onde a inflação e a desvalorização cambial continuam afetando o poder de compra da população. :contentReference[oaicite:4]{index=4}

Nesses mercados, ativos como USDC e USDT passaram a funcionar como uma representação digital do dólar americano, permitindo preservação de valor sem a necessidade de acesso ao sistema bancário tradicional.

Além da proteção patrimonial, as stablecoins também são utilizadas para remessas internacionais, pagamentos transfronteiriços e movimentação de recursos entre diferentes países.

A praticidade operacional e a liquidação rápida ajudam a explicar o crescimento dessa demanda.

Brasil acompanha tendência regional

Embora o relatório destaque o comportamento regional, o Brasil também participa desse avanço das stablecoins.

Nos últimos anos, o mercado brasileiro registrou crescimento acelerado do uso de dólares digitais em operações de investimento, proteção cambial e movimentação internacional de recursos. Dados anteriores mostram que stablecoins já movimentam volumes muito superiores ao Bitcoin dentro da infraestrutura cripto brasileira. :contentReference[oaicite:5]{index=5}

O crescimento também atraiu empresas do setor financeiro tradicional e plataformas digitais interessadas em oferecer acesso simplificado ao dólar digital.

Com isso, o uso de stablecoins vem deixando de ser uma ferramenta exclusiva de traders para alcançar perfis mais amplos de usuários.

Bitcoin segue líder em patrimônio mantido

Apesar da queda na participação das compras, o Bitcoin continua ocupando posição central nas carteiras dos investidores latino-americanos.

O relatório da Bitso mostra que uma parcela significativa dos usuários mantém BTC como principal reserva de longo prazo, enquanto utiliza stablecoins para proteção cambial e liquidez operacional. :contentReference[oaicite:6]{index=6}

Na prática, os dois ativos acabam desempenhando funções diferentes.

Enquanto o Bitcoin é frequentemente utilizado como aposta em valorização futura e reserva digital escassa, USDC e USDT são usados como instrumentos de estabilidade e exposição ao dólar.

Isso ajuda a explicar por que o Bitcoin perdeu espaço nas compras sem necessariamente perder relevância dentro das carteiras.

Mercado regional muda de perfil

O levantamento sugere uma transformação gradual no uso das criptomoedas na América Latina.

Nos primeiros ciclos do mercado, grande parte da demanda era direcionada à especulação e à busca por valorização. Agora, cresce o uso de ativos digitais ligados a necessidades financeiras concretas, como dolarização, remessas e preservação de patrimônio. :contentReference[oaicite:7]{index=7}

A liderança das stablecoins nas compras mostra que muitos usuários passaram a enxergar as criptomoedas também como infraestrutura financeira.

Para investidores brasileiros, o dado ajuda a entender por que USDC e USDT vêm ganhando cada vez mais espaço em corretoras, aplicativos financeiros e operações internacionais realizadas dentro da região.