Os Estados Unidos podem ganhar mais dois estados com proibição total de caixas eletrônicos de criptomoedas. Delaware e Nova Jersey avançaram projetos de lei que impedem a operação desses equipamentos, justificando a medida pelo crescimento de golpes financeiros associados às máquinas.
As propostas foram aprovadas em comissões legislativas estaduais e agora seguem para análise dos plenários. Caso sejam sancionadas, os dois estados se juntarão a Indiana, Tennessee e Minnesota, que já adotaram restrições totais aos chamados crypto ATMs em 2026.
Delaware avança com o House Bill 441
O Comitê Econômico da Câmara de Delaware aprovou o House Bill 441, encaminhando a proposta para votação no plenário estadual. O texto prevê a proibição de possuir, instalar ou operar quiosques de criptomoedas em todo o estado.
A proposta foi patrocinada pela deputada Cyndie Romer, que argumenta que os equipamentos são frequentemente utilizados em esquemas fraudulentos direcionados principalmente a idosos e pessoas vulneráveis.
Além dos caixas eletrônicos tradicionais, o projeto também alcança modelos alternativos de compra de criptoativos com dinheiro em espécie, incluindo sistemas de ponto de venda e operações realizadas por atendentes que reproduzam a mesma funcionalidade dos quiosques.
Caso a lei seja aprovada e sancionada, todos os equipamentos deverão ser removidos em até 90 dias.
Nova Jersey segue caminho semelhante
Em Nova Jersey, o movimento ocorreu no Comitê de Comércio do Senado estadual, que aprovou por unanimidade uma proposta semelhante.
O projeto proíbe possuir, controlar, instalar, administrar, vender ou oferecer caixas eletrônicos de criptomoedas dentro do estado. Os parlamentares justificaram a iniciativa pelo aumento de golpes associados ao uso desses equipamentos.
As penalidades previstas incluem:
- Multa de até US$ 10 mil na primeira infração;
- Multa de até US$ 20 mil em casos de reincidência.
A proposta agora seguirá para votação pelos parlamentares estaduais.
FBI registra US$ 388 milhões em perdas
Os projetos ganharam força após novos números divulgados pelo FBI sobre fraudes envolvendo caixas eletrônicos de criptomoedas.
Segundo a agência federal, foram registradas quase 13.500 reclamações em 2025, relacionadas a perdas superiores a US$ 388 milhões.
Os dados mostram que mais da metade das ocorrências envolveu pessoas com mais de 50 anos. Esse grupo acumulou prejuízos superiores a US$ 302 milhões ao longo do ano.
Pressão regulatória cresce nos Estados Unidos
A movimentação de Delaware e Nova Jersey faz parte de uma tendência mais ampla observada em diferentes regiões dos Estados Unidos.
Indiana foi o primeiro estado a aprovar uma proibição total em março de 2026. Em seguida, Tennessee adotou medida semelhante em abril, enquanto Minnesota avançou com sua própria proibição em maio.
Além dos estados que optaram pelo banimento completo, outras jurisdições estão adotando abordagens mais moderadas. Alguns estados, como Arizona e Califórnia, estabeleceram limites para valores transacionados nesses equipamentos em vez de proibi-los integralmente.
Também existem cidades americanas avaliando restrições locais ou proibições específicas para combater golpes ligados aos quiosques.
Operadores contestam as proibições
Empresas do setor argumentam que os equipamentos não são responsáveis pelos golpes praticados por criminosos e defendem que a solução passa por controles adicionais, e não pelo banimento total.
Diversos operadores passaram a implementar avisos de fraude nas telas das máquinas, limites voluntários de transação e mecanismos de monitoramento para reduzir riscos.
O debate ganhou ainda mais atenção após a recuperação judicial da Bitcoin Depot, que já foi uma das maiores operadoras de caixas eletrônicos de criptomoedas do mundo, com mais de 9 mil equipamentos. A empresa apontou a crescente pressão regulatória como um dos fatores que impactaram seus negócios.
Mesmo com a resistência da indústria, o avanço dos projetos em Delaware e Nova Jersey mostra que parte dos legisladores americanos considera que as medidas atuais não foram suficientes para conter o crescimento das fraudes envolvendo esses equipamentos.