RWAs podem chegar a US$ 4 trilhões

O mercado de ativos do mundo real tokenizados (RWAs) pode passar por uma expansão significativa nos próximos anos. Segundo uma projeção de Geoff Kendrick, chefe global de pesquisa de ativos digitais do Standard Chartered, o setor poderá atingir US$ 4 trilhões até o fim de 2028.

A estimativa foi apresentada em um relatório divulgado na segunda-feira, 10 de agosto de 2026. O estudo relaciona o crescimento da tokenização à necessidade de infraestrutura capaz de levar informações externas para dentro das redes blockchain de maneira confiável.

Nesse cenário, a Chainlink aparece como uma das principais beneficiadas. A tese do banco é que o aumento da quantidade de ativos tokenizados exigirá mais dados externos, interoperabilidade entre diferentes redes, mecanismos de preservação de privacidade e conexão com sistemas financeiros tradicionais.

O relatório também prevê forte crescimento dos ativos tokenizados e criptoativos utilizados em aplicações de finanças descentralizadas. A estimativa aponta para US$ 2,7 trilhões até o fim de 2030, um avanço de 37 vezes em relação ao nível considerado na análise.

Chainlink ganha destaque na tese do banco

A principal conexão entre a expansão dos RWAs e o LINK está nos chamados oráculos. Esses sistemas permitem que blockchains recebam informações provenientes de fontes externas, algo necessário para aplicações que trabalham com ativos financeiros, preços e outros dados fora da própria rede.

Para Kendrick, o aumento da tokenização pode elevar a geração de taxas da Chainlink. A partir dessa expectativa, o analista estima que o LINK poderia alcançar US$ 200 até o final de 2030, partindo de aproximadamente US$ 8 no momento da análise.

IndicadorProjeção ou dado
RWAs tokenizados até fim de 2028US$ 4 trilhões
LINK considerado na análisecerca de US$ 8
Preço projetado para o LINK em 2030US$ 200
Ativos tokenizados e cripto em DeFi em 2030US$ 2,7 trilhões
Crescimento projetado desses ativos37 vezes

A conta representa uma valorização superior a 25 vezes para o token. Mas esse número deve ser tratado como projeção de um analista, e não como uma meta garantida para o ativo.

O próprio Standard Chartered apontou fatores que podem comprometer essa tese, incluindo uma adoção institucional de tokenização mais lenta do que o esperado, concorrência de outros provedores especializados em oráculos e eventuais problemas técnicos.

Volume de RWAs bate recorde em julho

A projeção do banco aparece em um momento em que os ativos tokenizados já apresentam crescimento nas negociações. Dados da CryptoRank indicam que a negociação de RWAs tokenizados em exchanges descentralizadas atingiu US$ 141 bilhões em julho.

O número representa um crescimento de 19,5% em relação ao mês anterior, com as ações tokenizadas aparecendo como um dos principais fatores por trás da expansão registrada.

Esse dado é importante porque mostra que a discussão sobre tokenização não está restrita apenas a projetos futuros. Já existe atividade de negociação envolvendo ativos do mundo real dentro de ambientes descentralizados, embora o tamanho atual ainda esteja distante da projeção de trilhões de dólares apresentada pelo Standard Chartered.

Para o trader brasileiro que acompanha o setor de altcoins, o ponto prático é observar se o crescimento dos RWAs continua acompanhado por aumento real de utilização das infraestruturas blockchain. O avanço de volumes é um indicador mais concreto do que simplesmente acompanhar previsões de preço.

Chainlink lidera ranking de valor protegido

A Chainlink também aparece em posição relevante quando o critério analisado é o valor total protegido por sua infraestrutura de oráculos descentralizados. Segundo dados do agregador DefiLlama citados no relatório, a rede apresentava US$ 34,4 bilhões em valor total protegido.

O segundo colocado mencionado na comparação é a Chronicle, com US$ 7,36 bilhões. A diferença mostra a distância entre os dois provedores dentro desse indicador específico.

A função dos oráculos ganha importância quando ativos tradicionais são representados em blockchain. Um token que represente determinado ativo precisa receber informações externas de maneira confiável para que contratos inteligentes possam executar suas regras corretamente.

Por isso, a tese do Standard Chartered não depende apenas do crescimento do número de tokens. Ela está ligada à necessidade de infraestrutura para conectar esses ativos às informações e aos sistemas que existem fora das blockchains.

O que o investidor deve observar no LINK

A projeção de US$ 200 para o LINK até 2030 é bastante agressiva quando comparada ao preço de aproximadamente US$ 8 usado pelo relatório. O potencial calculado pelo Standard Chartered depende de uma sequência de acontecimentos: expansão dos RWAs, aumento da utilização de blockchain por instituições e maior demanda pelos serviços de oráculos da Chainlink.

O investidor também precisa considerar os próprios riscos destacados por Geoff Kendrick. Se os projetos institucionais de tokenização avançarem mais lentamente, a demanda esperada pela infraestrutura pode não aparecer na velocidade projetada.

Outro ponto é a concorrência. O relatório reconhece a possibilidade de novos provedores especializados em oráculos disputarem esse mercado, enquanto problemas técnicos também poderiam prejudicar a tese.

Para quem acompanha LINK no Brasil, portanto, a leitura mais útil não é simplesmente transformar US$ 200 em preço-alvo. O dado central é acompanhar adoção de RWAs, volumes negociados, integração institucional e utilização efetiva dos oráculos. Se esses indicadores crescerem junto, a tese ganha sustentação; se a expansão ficar abaixo das projeções, o cenário muda.