Celsius volta ao radar com decisão da CFTC

A Comissão de Negociação de Futuros de Commodities dos EUA, a CFTC, anunciou em 18 de junho de 2026 que a Justiça do Distrito Sul de Nova York aprovou uma ordem de consentimento contra Alexander Mashinsky, fundador e ex-CEO da Celsius Network LLC.

A decisão resolve a ação de fiscalização aberta pela CFTC em 13 de julho de 2023 contra Mashinsky e a Celsius. O ponto central agora é que Mashinsky fica proibido de operar e se registrar nos mercados regulados pela agência.

Na prática, a ordem tira Mashinsky de qualquer participação formal em atividades supervisionadas pela CFTC. Para o investidor, o caso reforça um ponto básico: plataforma de rendimento cripto não é banco só porque usa linguagem bonitinha e promete segurança com cara de fintech perfumada.

Mashinsky recebe banimento permanente

A ordem de consentimento impõe banimentos permanentes de negociação e registro contra Mashinsky. Também o impede de cometer novas violações de determinadas regras antifraude da Commodity Exchange Act (CEA) e de normas da própria CFTC.

Esse banimento vem depois de um processo longo envolvendo reguladores e Justiça criminal nos Estados Unidos. Segundo a CFTC, a ação de 2023 acusava Celsius e Mashinsky de fraude e declarações enganosas relacionadas à operação de uma plataforma financeira baseada em ativos digitais.

A CFTC afirmou que o caso de 2023 foi o primeiro da agência contra uma plataforma de empréstimo de ativos digitais. Ou seja, Celsius virou um caso de referência para reguladores americanos quando o assunto é rendimento cripto, custódia, promessa de segurança e risco escondido.

FatoDetalhe
ReguladorCFTC
TribunalDistrito Sul de Nova York
AlvoAlexander Mashinsky
EmpresaCelsius Network LLC
Ação original13 de julho de 2023
Decisão final18 de junho de 2026
Penalidade civil atualBanimento permanente de negociação e registro

Plataforma prometia rendimento semanal

Segundo a CFTC, a Celsius funcionava como uma plataforma em que clientes depositavam ativos digitais para que a empresa agrupasse esses recursos e buscasse gerar receita. O retorno seria repassado aos usuários na forma de pagamentos semanais de juros ou “recompensas”.

A acusação dizia que, de 2018 até pelo menos junho de 2022, Mashinsky e a Celsius enganaram centenas de milhares de clientes sobre segurança, rentabilidade e conformidade regulatória da plataforma. A empresa se apresentava como uma alternativa segura para ativos digitais e prometia altos rendimentos sobre depósitos.

Para entregar esses retornos, a CFTC afirma que a Celsius adotou estratégias cada vez mais arriscadas. A lista inclui milhões de dólares em empréstimos sem garantia e acordos de DeFi não regulados e arriscados.

Colapso deixou bilhões travados

A CFTC afirma que a Celsius recebeu, no total, aproximadamente US$ 20 bilhões em valor de clientes. Já o Departamento de Justiça dos EUA diz que, no pico, no outono de 2021, a plataforma mantinha cerca de US$ 25 bilhões em ativos.

O problema explodiu em 12 de junho de 2022, quando a Celsius congelou saques de clientes. Naquele momento, segundo o Departamento de Justiça, centenas de milhares de clientes tinham US$ 4,7 bilhões em ativos inacessíveis na plataforma.

Em 13 de julho de 2022, a Celsius entrou com pedido de falência. Segundo a CFTC, o processo revelou que as obrigações da empresa superavam seus ativos em mais de US$ 1 bilhão.

Condenação criminal veio antes do acordo

A decisão da CFTC não surgiu no vácuo. Em 11 de julho de 2023, o Ministério Público do Distrito Sul de Nova York abriu uma ação criminal paralela contra Mashinsky envolvendo a mesma conduta investigada pela CFTC.

Em 3 de dezembro de 2024, Mashinsky se declarou culpado de uma acusação de fraude de commodities e uma acusação de fraude de valores mobiliários. Em 8 de maio de 2025, ele foi sentenciado a 12 anos de prisão.

Além da prisão, Mashinsky recebeu três anos de liberdade supervisionada, multa de US$ 50 mil e ordem de confisco de US$ 48.393.446. O Departamento de Justiça também afirmou que ele retirou US$ 8 milhões em ativos próprios não relacionados ao token CEL antes da suspensão dos saques.

O que o investidor aprende com Celsius

O caso Celsius mostra que o risco não estava só na queda do mercado cripto em 2022. O risco também estava na promessa de rendimento, na falta de transparência, na gestão dos ativos de clientes e na confiança depositada em uma empresa centralizada.

Para quem investe no Brasil, a leitura prática é direta: rendimento alto em cripto precisa ser analisado como risco de crédito, risco operacional e risco de contraparte. Não basta olhar o APY bonito na tela e fingir que dinheiro grátis brota de servidor com LED azul.

O investidor deve entender onde o ativo fica custodiado, como a empresa gera retorno, se há registro regulatório, qual é a política de risco e o que acontece em caso de bloqueio de saques. A blockchain pode ser transparente, mas empresa centralizada pode virar uma caixa-preta com contrato bonito e governança de papelão molhado.