Bybit leva caso de US$ 1,4 bilhão aos tribunais
A Bybit entrou com um processo civil nos Estados Unidos contra a Coreia do Norte e o Lazarus Group, buscando recuperar ativos digitais roubados durante o ataque sofrido pela corretora em fevereiro de 2025.
O episódio foi avaliado em US$ 1,4 bilhão considerando o valor dos ativos no momento do ataque. Segundo a própria corretora, o incidente foi o maior ataque da história do mercado de criptomoedas nessa métrica.
A ação judicial representa uma nova frente na tentativa de recuperar os fundos. As investigações criminais continuam sob responsabilidade das autoridades governamentais, enquanto o processo civil permite à corretora buscar medidas para preservar os ativos identificados e proteger os interesses das partes afetadas.
A Bybit afirmou que a iniciativa também pretende apoiar investigações conduzidas por autoridades internacionais e aumentar a responsabilização por crimes cibernéticos de grande escala.
Lazarus Group está no centro das acusações
A ação apresentada pela Bybit inclui o Lazarus Group, grupo associado à Coreia do Norte e apontado pela corretora como parte do ataque de fevereiro de 2025.
Depois do incidente, a Bybit publicou informações sobre a engenharia utilizada no ataque e os conhecimentos necessários para sua execução. A empresa também criou uma página dedicada ao acompanhamento dos fundos roubados.
Como parte da estratégia de recuperação, a corretora ofereceu uma recompensa equivalente a 10% dos valores recuperados para pessoas que ajudassem a localizar os ativos.
Os números apresentados mais de um ano depois mostram, porém, a dificuldade de recuperar criptomoedas após sua movimentação por diferentes endereços e redes.
A Bybit informou que aproximadamente US$ 64 milhões permanecem rastreáveis, enquanto cerca de US$ 1,3 bilhão já não pode ser acompanhado por seus mecanismos de rastreamento.
Apenas 5,29% dos fundos foram recuperados
O dado mais relevante para acompanhar a evolução do caso é a proporção dos ativos efetivamente recuperados. Até o momento, a Bybit conseguiu recuperar somente 5,29% dos fundos roubados no ataque.
A diferença entre os valores recuperados e o total comprometido mostra o tamanho do desafio enfrentado pela corretora. Mesmo com ferramentas de rastreamento e colaboração com investigadores, uma parcela muito maior dos ativos deixou de ser rastreável.
Segundo os dados divulgados pela empresa, cerca de US$ 1,3 bilhão perderam o rastro, enquanto aproximadamente US$ 64 milhões continuam sendo acompanhados.
Esse cenário também explica por que a ação judicial ganhou importância. A Bybit não está apenas tentando identificar movimentações: o objetivo informado é obter mecanismos legais para preservar os ativos que ainda possam ser localizados enquanto o processo continua.
Para o investidor, o episódio reforça uma questão prática: rastrear uma criptomoeda roubada não significa necessariamente conseguir recuperá-la. A transparência das transações em blockchain pode ajudar nas investigações, mas a recuperação depende de vários fatores posteriores.
Saques chegaram a R$ 31 bilhões em 24 horas
O impacto do ataque não ficou restrito ao valor diretamente roubado. Nas 24 horas seguintes ao incidente, a Bybit processou aproximadamente R$ 31 bilhões em retiradas.
Apesar do volume expressivo de saques, a corretora manteve as operações em funcionamento e assumiu as perdas decorrentes do ataque, segundo as informações apresentadas na matéria.
O comportamento dos clientes naquele momento mostra como um grande incidente de segurança pode gerar rapidamente uma segunda pressão sobre uma corretora: além da necessidade de lidar com o ataque, a plataforma precisa processar uma onda de retiradas motivadas pelo receio dos usuários.
O caso também ajuda a entender por que a recuperação da confiança é um processo posterior ao próprio incidente. Ben Zhou, cofundador e CEO da Bybit, afirmou que o ataque atingiu não apenas a empresa, mas a confiança de todo o setor de criptomoedas.
Zhou destacou ainda a colaboração da empresa com investigadores, corretoras, reguladores, autoridades policiais e tribunais como parte da resposta ao episódio.
Segurança continua sendo ponto central para o mercado
A ação contra a Coreia do Norte e o Lazarus Group coloca a recuperação dos fundos em uma nova etapa, mas não altera o fato de que a maior parte dos ativos roubados continua sem rastreabilidade.
A própria Bybit afirma que o processo civil é uma ferramenta adicional às investigações criminais. Enquanto as autoridades continuam responsáveis pela apuração criminal, a empresa busca utilizar a Justiça para preservar os ativos que forem identificados durante o processo.
O ataque também teve uma consequência importante para a discussão sobre segurança de corretoras. Um evento de US$ 1,4 bilhão não representa apenas uma perda financeira pontual: ele exige resposta operacional, rastreamento de ativos, cooperação internacional e medidas para manter os serviços funcionando.
Para quem mantém criptomoedas em corretoras, o caso da Bybit reforça a importância de considerar a segurança da plataforma como parte do risco do investimento. Não basta olhar apenas para liquidez, taxas ou quantidade de ativos disponíveis.
A trajetória dos fundos roubados também mostra que a blockchain pode fornecer informações úteis para rastreamento, mas isso não garante recuperação. Dos US$ 1,4 bilhão envolvidos, somente 5,29% foram recuperados até agora, enquanto aproximadamente US$ 1,3 bilhão perderam o rastro.