Banco Central mostra forte avanço das compras de cripto
Os brasileiros continuam ampliando a exposição a criptoativos negociados no exterior. Dados divulgados pelo Banco Central nas estatísticas do setor externo mostram que as aquisições somaram US$ 2,632 bilhões em maio de 2026.
Na comparação anual, o crescimento foi expressivo. Em maio de 2025, esse volume havia sido de US$ 1,019 bilhão, o que representa uma alta de aproximadamente 158% em doze meses. Na prática, o valor movimentado pelos brasileiros foi cerca de 2,6 vezes maior do que o registrado no mesmo mês do ano anterior.
Apesar de apresentar uma pequena desaceleração em relação a abril, o indicador permanece em um dos maiores níveis da série recente, indicando que a demanda por ativos digitais continua elevada.
Acumulado do ano já representa grande parte de 2025
Entre janeiro e maio de 2026, os gastos de brasileiros com criptoativos no exterior alcançaram US$ 12,138 bilhões.
No mesmo intervalo de 2025, o total havia sido de US$ 4,759 bilhões. Isso significa uma expansão acumulada de 155%, ou aproximadamente 2,5 vezes o volume observado nos cinco primeiros meses do ano passado.
Os números também mostram a velocidade desse crescimento. Em apenas cinco meses, o volume movimentado em 2026 já corresponde a aproximadamente 72% de todo o registrado ao longo de 2025.
Segundo os dados apresentados, seriam necessários mais US$ 4,801 bilhões em movimentações para que o total de 2026 ultrapasse todo o volume registrado durante o ano passado.
Stablecoins ganham protagonismo
De acordo com a análise apresentada na reportagem, o crescimento não está sendo explicado apenas pela procura por Bitcoin ou outras criptomoedas de maior volatilidade.
Uma parcela importante da demanda está relacionada ao avanço das stablecoins, moedas digitais pareadas a ativos como o dólar. Esses ativos vêm sendo utilizados para diferentes finalidades, incluindo proteção cambial, pagamentos internacionais, remessas e fornecimento de liquidez para corretoras brasileiras.
Essa mudança ajuda a explicar por que as estatísticas do setor externo passaram a receber maior atenção. Em muitos casos, o usuário busca acesso a uma versão digital do dólar, e não necessariamente exposição direta às oscilações do Bitcoin.
Banco Central explica origem dos números
No fim de maio, Fernando Rocha, chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, comentou o crescimento observado nas aquisições de criptoativos por brasileiros.
Segundo ele, uma parte relevante desse movimento envolve prestadoras de serviços de ativos virtuais que compram stablecoins no exterior para atender a demanda de clientes no Brasil.
Quando uma corretora brasileira adquire stablecoins emitidas fora do país para oferecer liquidez aos seus usuários, essa operação aparece nas estatísticas do balanço de pagamentos como aquisição de um ativo externo. Dessa forma, os dados refletem a procura de residentes brasileiros por ativos digitais emitidos ou liquidados no exterior.
USDT continua liderando o mercado brasileiro
Os dados reforçam uma transformação observada nos últimos anos no mercado nacional de criptoativos.
Segundo a reportagem, informações da Receita Federal já vinham indicando um crescimento acelerado das operações envolvendo stablecoins. Atualmente, esse segmento já supera com ampla margem o volume negociado de Bitcoin no Brasil.
O principal destaque continua sendo o USDT, stablecoin emitida pela Tether, que concentra a maior parte das transações com moedas estáveis realizadas no país.
O avanço desse segmento demonstra que as stablecoins deixaram de ser apenas ferramentas utilizadas por traders para movimentar recursos entre operações. Hoje, elas também desempenham papel relevante em pagamentos internacionais, proteção contra oscilações cambiais e acesso à liquidez em dólar dentro do ecossistema cripto.