Brasil assume liderança mundial em adoção de cripto
O Brasil alcançou o 1º lugar mundial em adoção de criptoativos no Global Crypto Adoption Index de 2026, divulgado pela Chainalysis em 23 de setembro. Os Estados Unidos aparecem na segunda posição, seguidos por Nigéria, Japão e Coreia do Sul.
O levantamento analisou a atividade cripto durante os 12 meses encerrados em junho de 2026. Nesse intervalo, a economia cripto brasileira registrou US$ 252,5 bilhões em atividade, colocando o país na liderança do ranking de adoção mesmo sem ocupar a primeira colocação individual em nenhum dos quatro critérios avaliados.
A diferença está justamente na distribuição da atividade. O Brasil apareceu entre os quatro melhores países do mundo em todas as categorias consideradas pela Chainalysis, apresentando resultados fortes em movimentações domésticas, internacionais e valores mantidos diretamente em blockchain.
Como a Chainalysis colocou o Brasil em primeiro lugar
A metodologia de 2026 considera quatro componentes: fluxos totais direcionados a serviços cripto, saldos on-chain, atividade peer-to-peer dentro de cada país e fluxos internacionais. O Brasil apresentou posições elevadas nas quatro frentes.
Isso também ajuda a entender por que liderar em adoção não significa necessariamente ser o país com o maior volume absoluto em todas as modalidades. Os Estados Unidos, por exemplo, ficaram em primeiro lugar em fluxos para serviços e em saldos on-chain, mas ocuparam posições inferiores em P2P doméstico e movimentações internacionais.
No ranking geral, a combinação desses diferentes indicadores colocou o Brasil à frente do mercado americano.
Brasil movimentou US$ 252,5 bilhões em cripto
Os US$ 252,5 bilhões associados à economia cripto brasileira representam aproximadamente 2,7% dos US$ 9,4 trilhões em atividade global medida no período. O tamanho dessa movimentação também mantém o Brasil como o principal mercado cripto da América Latina.
A região latino-americana registrou US$ 593,8 bilhões em atividade cripto, crescimento de 9,8% no período analisado. O desempenho regional ocorreu enquanto a atividade global recuou 1,6%, de aproximadamente US$ 9,5 trilhões para US$ 9,4 trilhões.
No próprio Brasil, a atividade medida apresentou queda de 1,6% no período. Portanto, a liderança brasileira no índice não significa que o volume doméstico tenha crescido durante esses 12 meses. O país chegou ao primeiro lugar pela posição relativa e pela distribuição de sua atividade entre os quatro indicadores utilizados na nova metodologia.
Sozinho, o Brasil responde por 43,7% de toda a atividade cripto da América Latina. Em 2022, essa fatia era de 31,6%. E, apesar da leve queda nos últimos 12 meses, a economia cripto brasileira cresceu 179,4% entre 2024 e junho de 2026.
Stablecoins e P2P ganham espaço no mercado
O relatório também mostra uma mudança importante no tipo de movimentação observada mundialmente. Enquanto os valores destinados a exchanges, protocolos DeFi e outros serviços cripto caíram 4,3%, para US$ 8,9 trilhões, as transferências domésticas P2P cresceram 302,9%, alcançando US$ 228,7 bilhões.
Outro destaque foram as stablecoins utilizadas em operações internacionais. Os fluxos internacionais desse segmento avançaram 77,5%, passando de US$ 124,2 bilhões para US$ 220,3 bilhões.
Segundo os dados apresentados pela Chainalysis, essas transferências internacionais tiveram valor médio próximo de US$ 3 mil. A empresa relaciona esse tamanho de operação a usos como pagamentos a fornecedores, remessas e movimentação de reservas entre diferentes moedas e países.
Esse cenário ajuda a explicar por que a metodologia não observa apenas compra e venda de Bitcoin ou negociação especulativa. O índice procura medir diferentes formas de utilização da infraestrutura cripto dentro da economia de cada país.
No Brasil, as stablecoins explodiram
O motor da adoção brasileira foram as stablecoins, moedas digitais atreladas ao dólar, como USDT e USDC. A economia de stablecoins no país cresceu 495%, contra 89,4% no resto da América Latina. O crescimento aparece tanto nas transferências pequenas quanto nas grandes.
As carteiras com mais de US$ 10 mil em stablecoins cresceram 347% desde julho de 2024. E no mundo todo, mesmo com o mercado em queda, as transferências de varejo continuaram subindo: as de menos de US$ 100 cresceram 78,4% e as de US$ 100 a US$ 1 mil, 58,6%.
Em fevereiro de 2026, o Banco Central passou a valer regras para as prestadoras de serviços de ativos virtuais, com exigências de governança, gestão de risco, segurança e compliance. A Chainalysis liga a volta do brasileiro às plataformas locais a essa maior clareza regulatória.
Mercado global perdeu US$ 2,1 trilhões em valor
O resultado brasileiro aconteceu em um período difícil para os preços dos criptoativos. Segundo a Chainalysis, a capitalização total do mercado caiu aproximadamente 50% durante os 12 meses analisados, representando uma redução de cerca de US$ 2,1 trilhões.
A atividade econômica medida on-chain, porém, teve uma redução muito menor. O volume global passou de aproximadamente US$ 9,5 trilhões para US$ 9,4 trilhões, queda de 1,6%.
Os saldos globais mantidos on-chain também diminuíram significativamente, passando de cerca de US$ 860 bilhões em setembro de 2025 para US$ 440 bilhões em junho de 2026. Já os saldos em stablecoins permaneceram em uma faixa entre US$ 98 bilhões e US$ 109 bilhões durante o período analisado.
Para o investidor brasileiro, portanto, o dado mais importante é entender exatamente o que o primeiro lugar representa: o Brasil liderou o índice de adoção da Chainalysis em 2026, e não necessariamente todos os rankings de volume financeiro do mercado cripto.
Quem aparece atrás do Brasil no ranking de 2026
A lista da Chainalysis avaliou 117 países. Depois de Brasil e Estados Unidos, a Nigéria ficou em terceiro lugar, seguida por Japão e Coreia do Sul.
As dez primeiras posições ficaram assim:
- 1Brasilsubiu do 5º lugar
- 2Estados Unidos
- 3Nigéria
- 4Japão
- 5Coreia do Sul
- 6Índia
- 7Ucrânia
- 8Tailândia
- 9África do Sul
- 10Canadá
A Nigéria apresentou um perfil diferente do brasileiro e do americano: ficou em 1º lugar tanto na atividade P2P doméstica quanto nos fluxos internacionais. Já os Estados Unidos lideraram os indicadores de fluxos para serviços e saldos on-chain.
O Brasil não liderou isoladamente nenhuma dessas quatro categorias, mas permaneceu entre os quatro primeiros lugares em todas elas. Foi essa combinação que levou o país ao topo do índice global de adoção em 2026.
Quem investe em cripto no Brasil: idade, renda e valor
O relatório da Chainalysis mede o dinheiro, não as pessoas. Para saber quem está por trás desse volume, os melhores dados vêm da Anbima, da Receita Federal e das próprias corretoras. E o retrato é claro: o investidor de cripto brasileiro é jovem.
O perfil também muda em renda e gênero. A faixa mais comum entre quem tem cripto ganha de 3 a 5 salários mínimos, enquanto no investidor em geral predomina quem ganha até 1 salário. E o cripto ainda é um mercado masculino: as mulheres são 31,3% de quem investe em cripto, contra 51,5% entre os investidores em geral.
Na edição seguinte da pesquisa, a 9ª, 4% dos brasileiros adultos diziam investir em cripto, cerca de 6,7 milhões de pessoas. É o dobro dos que investem em ações ou no Tesouro Direto, que ficam em 2% cada.
O volume multiplicou 5,3 vezes em cinco anos. Em 2025, uma média de 4,6 milhões de CPFs fez alguma operação com cripto a cada mês.
Quanto o brasileiro coloca em cripto
Não existe um valor mínimo oficial para começar. As corretoras aceitam compras fracionadas, e o próprio relatório da Chainalysis mostra o varejo crescendo nas transferências de menos de US$ 100. O que existe são médias. No Mercado Bitcoin, maior corretora do país, o aporte médio em 2025 foi de R$ 5.700, e a participação de investidores de até 24 anos cresceu 56% no ano.
O volume da corretora cresceu 43% em 2025, e o volume de stablecoins triplicou.