BlackRock relaciona fraqueza do Bitcoin ao interesse por IA
Robbie Mitchnick, responsável pela área de ativos digitais da BlackRock, comentou em entrevista ao Yahoo que o desempenho mais fraco do Bitcoin nos últimos meses está ligado ao forte fluxo de capital direcionado ao setor de inteligência artificial. Segundo ele, o movimento não afeta apenas as criptomoedas.
O executivo afirmou que ativos como ouro e metais preciosos também enfrentam um ambiente menos favorável devido ao foco dos investidores em empresas relacionadas à IA. A avaliação da gestora surge em um período em que a narrativa da inteligência artificial domina parte relevante do mercado financeiro.
Mitchnick destacou que essa dinâmica vem sendo observada desde outubro do ano passado, período em que o mercado cripto apresentou menor força em comparação com segmentos ligados à tecnologia e IA.
Michael Saylor já havia levantado a mesma tese
A visão apresentada pelo executivo da BlackRock não é inédita. No início do mês, Michael Saylor, fundador da Strategy, também comentou que a valorização das empresas ligadas à inteligência artificial estaria atraindo recursos que anteriormente poderiam estar sendo direcionados para o Bitcoin.
Mitchnick concordou com essa leitura e afirmou que o fenômeno pode ser observado em diferentes classes de ativos. Segundo ele, a narrativa da IA ganhou protagonismo e concentra grande parte da atenção dos investidores.
Ao mesmo tempo, parte do mercado questiona se o setor de inteligência artificial não estaria passando por um período de excesso de otimismo.
Arthur Hayes compara Bitcoin e Nvidia
Há duas semanas, Arthur Hayes chamou atenção para a diferença de desempenho entre Bitcoin e Nvidia. Segundo o ex-executivo da BitMEX, a principal criptomoeda acumulou uma valorização de aproximadamente sete vezes entre o fundo de 2022 e o topo de 2025.
No mesmo período, as ações da Nvidia registraram uma multiplicação de aproximadamente onze vezes. Para Hayes, esse comportamento pode indicar uma concentração excessiva de capital em torno do tema inteligência artificial.
O debate ocorre em meio à forte valorização das empresas de tecnologia e semicondutores, segmento diretamente beneficiado pelo avanço da IA.
Dívida americana volta ao radar da BlackRock
Além da inteligência artificial, Mitchnick destacou que a situação fiscal dos Estados Unidos continua sendo um dos fatores mais importantes para acompanhar nos próximos meses.
Atualmente, a dívida americana supera US$ 39 trilhões, e projeções indicam que ela pode atingir o teto de US$ 41 trilhões em 2027.
Segundo o executivo, a questão pode voltar a ganhar destaque após as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. Mesmo que o tema tenha perdido espaço recentemente, a BlackRock considera que o problema fiscal permanece relevante.
Fed e juros seguem no radar do mercado
Outro ponto destacado pelo executivo foi a política monetária americana. Mitchnick afirmou que os próximos movimentos do Federal Reserve continuam sendo decisivos para os ativos financeiros.
Segundo as projeções mencionadas pela reportagem, o mercado trabalhava com a possibilidade de uma alta de 0,25% na reunião de setembro do Fed.
O executivo observou que o Bitcoin possui sensibilidade negativa aos juros. Dessa forma, as decisões do banco central americano continuam sendo acompanhadas de perto por investidores institucionais e participantes do mercado cripto.
Bitcoin operava perto de US$ 62.300
No momento citado pela reportagem, o Bitcoin era negociado próximo de US$ 62.300. O preço representava uma queda de aproximadamente 50,8% em relação à máxima histórica.
A combinação entre a força das ações ligadas à inteligência artificial, a política monetária americana e a situação fiscal dos Estados Unidos continua sendo monitorada por grandes gestores.
Para investidores, a mensagem da BlackRock indica que fatores macroeconômicos e mudanças no fluxo global de capital seguem influenciando diretamente o comportamento do mercado de criptomoedas.