A BlackRock ampliou sua linha de produtos ligados ao Bitcoin com o lançamento do iShares Bitcoin Premium Income ETF (BITA). O novo fundo foi apresentado em 16 de junho e foi estruturado para atender investidores que desejam exposição à maior criptomoeda do mercado, mas também buscam geração recorrente de renda.
Diferentemente dos ETFs tradicionais de Bitcoin à vista, o BITA abre mão de parte do potencial de valorização para criar uma fonte de rendimento mensal. A estratégia utiliza contratos de opções sobre parte da carteira, transformando a volatilidade do Bitcoin em receita para distribuição aos cotistas.
ETF BITA combina Bitcoin com geração de renda
O novo produto da BlackRock será negociado na Nasdaq sob o ticker BITA.
Segundo a gestora, o ETF foi criado para oferecer exposição ao desempenho do Bitcoin enquanto gera pagamentos recorrentes provenientes do mercado de opções.
Para isso, o fundo divide sua carteira entre:
- Bitcoin;
- Participações no iShares Bitcoin Trust ETF (IBIT);
- Estratégias de opções sobre parte da posição.
A estrutura foi desenhada para que investidores continuem participando da valorização do ativo digital, mas com um perfil de retorno diferente daquele encontrado nos ETFs tradicionais focados apenas na alta do Bitcoin.
Estratégia usa opções sobre até 35% da carteira
A principal diferença do BITA está na utilização de opções de compra, conhecidas no mercado como calls.
A BlackRock informou que o fundo poderá vender contratos de opções sobre até 35% do portfólio. Em troca, recebe pagamentos antecipados conhecidos como prêmios.
Quando o comprador da opção adquire esse direito, ele passa a poder comprar as ações vinculadas à posição do fundo por um preço predeterminado caso o mercado suba.
Em contrapartida, o ETF recebe receita imediata, que posteriormente pode ser distribuída aos investidores.
Robert Mitchnick detalha perfil de retorno
Durante entrevista ao Decrypt, Robert Mitchnick, chefe de ativos digitais da BlackRock, classificou o BITA como um produto híbrido.
Segundo o executivo, o fundo oferece um equilíbrio entre valorização e rendimento.
De acordo com a estrutura atual apresentada pela gestora, investidores podem pensar no produto como algo próximo de 70% da valorização capturada pelo IBIT, combinada com um rendimento anual em faixa de dois dígitos.
Mitchnick destacou que a proposta não é substituir o IBIT, mas oferecer uma alternativa para investidores que desejam fluxo de caixa recorrente sem abandonar completamente a exposição ao Bitcoin.
O IBIT, principal ETF de Bitcoin da BlackRock, possui patrimônio de aproximadamente US$ 48,6 bilhões, segundo os dados citados pela companhia.
Público-alvo inclui seguradoras e fundos de pensão
A BlackRock acredita que o componente de renda pode ampliar o interesse institucional pelo Bitcoin.
Mitchnick citou especificamente seguradoras e fundos de pensão, grupos que historicamente demonstraram menor interesse por ativos que não geram fluxo de caixa.
Segundo o executivo, a ausência de rendimento sempre foi uma das barreiras para a adoção do Bitcoin por determinados investidores institucionais.
Ao incorporar pagamentos periódicos provenientes das opções, a gestora busca tornar o ativo mais compatível com estratégias voltadas para geração de renda.
Além disso, a BlackRock afirmou que os ganhos oriundos dos prêmios das opções contam com um tratamento tributário que a empresa descreveu como favorável dentro da estrutura do fundo.
Concorrência cresce no mercado de ETFs de Bitcoin
O lançamento do BITA ocorre meses após a BlackRock protocolar o pedido do produto, apresentado em janeiro de 2026.
O fundo chega para disputar espaço com o NEOS Bitcoin High Income ETF, produto semelhante lançado em 2024 e que possui uma taxa de despesas superior.
A movimentação também acontece em um momento em que outras instituições financeiras buscam explorar produtos de renda vinculados ao Bitcoin. A reportagem destaca que o Goldman Sachs apresentou, em abril, um pedido para um fundo com proposta parecida.
Questionado sobre a possibilidade de criar um produto equivalente para Ethereum, Mitchnick afirmou que a BlackRock não possui planos nesse sentido.
Segundo ele, os ETFs de Ethereum da empresa já contam com mecanismos capazes de gerar retornos semelhantes por meio do staking. Além disso, a demanda dos clientes por produtos ligados ao Bitcoin continua significativamente maior.
Para a BlackRock, o mercado ainda oferece espaço para o desenvolvimento de novos produtos financeiros construídos em torno do Bitcoin, especialmente aqueles voltados para investidores que buscam combinar exposição ao ativo digital com geração de renda.