A Bitmine voltou a aumentar sua aposta no Ethereum em meio à forte desvalorização da criptomoeda. A empresa anunciou nesta segunda-feira, 8 de junho de 2026, a aquisição de 126.971 ETH, reforçando sua estratégia de acumulação mesmo após meses de queda expressiva no preço do ativo.
Com a nova compra, a companhia passou a deter 5,54 milhões de ethers, volume que representa aproximadamente 4,6% de toda a oferta de Ethereum existente no mercado. O movimento ocorre em um momento delicado para a criptomoeda, que perdeu grande parte do valor registrado durante o ciclo de alta anterior.
Bitmine amplia posição em Ethereum
A nova aquisição foi divulgada por Tom Lee, presidente da Bitmine, que afirmou que a empresa aproveitou a recente queda dos preços para reforçar suas reservas.
Segundo Lee, a companhia acredita que o preço atual do Ethereum não reflete os fundamentos da rede. O executivo declarou que a correção observada nos últimos meses ocorre apesar do fortalecimento estrutural do ecossistema Ethereum.
Em sua comunicação ao mercado, Lee afirmou que a Bitmine aumentou o ritmo de compras durante a queda recente e reiterou a expectativa de que a companhia alcance a chamada "alquimia dos 5%" em algum momento de 2026, referência à meta de ampliar ainda mais sua participação relativa na oferta total de ETH.
Ethereum acumula forte queda em relação ao topo histórico
O reforço das compras acontece em um cenário desafiador para investidores expostos ao Ethereum.
No momento citado pela reportagem, o ETH era negociado próximo de US$ 1.685, valor que representa uma queda de aproximadamente 66% em relação ao recorde histórico da criptomoeda.
A pressão vendedora se intensificou durante o fim de semana anterior ao anúncio. Em determinado momento, o Ethereum chegou a ser negociado próximo de US$ 1.500, movimento que permitiu ao USDT ultrapassar temporariamente o ativo em valor de mercado.
O episódio chamou atenção porque o Ethereum tradicionalmente ocupa a segunda posição entre os maiores criptoativos do mercado, atrás apenas do Bitcoin.
Bitmine se consolida como gigante das tesourarias cripto
Dados do CoinGecko apontam que a Bitmine ocupa atualmente a posição de segunda maior empresa de tesouraria de criptomoedas do mundo.
A liderança permanece com a Strategy, empresa comandada por Michael Saylor, que concentra sua estratégia na acumulação de Bitcoin. A diferença é que a Bitmine construiu sua tese corporativa focada especificamente em Ethereum.
A dimensão das reservas da companhia faz com que oscilações relativamente pequenas no preço do Ethereum tenham impacto bilionário sobre seu balanço patrimonial.
Prejuízo não realizado se aproxima de US$ 10 bilhões
Apesar da posição gigantesca acumulada ao longo dos últimos meses, a queda do Ethereum também transformou a Bitmine em uma das empresas mais afetadas pela desvalorização recente.
A reportagem aponta que a companhia opera com um prejuízo não realizado próximo de US$ 10 bilhões, valor semelhante ao observado na Strategy em suas posições de Bitcoin.
Embora a empresa não divulgue oficialmente seu preço médio de aquisição, estimativas citadas pela matéria indicam que as compras teriam ocorrido em uma faixa entre US$ 3.300 e US$ 3.500 por ETH.
Com o Ethereum negociado próximo de US$ 1.685, grande parte dessas posições permanece significativamente abaixo do custo estimado de aquisição.
Tom Lee mantém visão otimista para o Ethereum
Mesmo diante da forte correção do mercado, Tom Lee continua defendendo uma visão positiva para a criptomoeda.
No final de 2025, quando o Ethereum era negociado próximo de US$ 4.500, o executivo declarou que o ativo poderia dobrar de valor. O mercado, porém, seguiu caminho oposto nos meses seguintes.
Desde então, o ETH acumulou uma queda de aproximadamente 62,5%, reduzindo drasticamente o valor das reservas mantidas pela Bitmine.
Ainda assim, a nova compra de 126.971 ETH mostra que a companhia não alterou sua estratégia principal. Em vez de reduzir exposição durante a queda, a empresa optou por ampliar sua posição, reforçando sua aposta de longo prazo no Ethereum.
Para os investidores, o caso da Bitmine mostra como grandes tesourarias corporativas podem ampliar posições mesmo em momentos de forte volatilidade, assumindo riscos significativos enquanto aguardam uma eventual recuperação dos preços.