Bitcoin reage ao alívio geopolítico

O mercado de criptomoedas começou a semana em tom positivo após a divulgação de um acordo de paz entre Estados Unidos e Irã. A notícia reduziu preocupações sobre uma possível escalada do conflito no Oriente Médio e seus impactos sobre a inflação global, principalmente por meio dos preços da energia.

Na manhã de segunda-feira (15), o Bitcoin era negociado a US$ 65.703, acumulando valorização de 1,7% nas últimas 24 horas. Em reais, a principal criptomoeda do mercado era cotada a R$ 331.870, segundo dados do Portal do Bitcoin.

A melhora do sentimento dos investidores não ficou restrita ao Bitcoin. Diversos ativos considerados mais arriscados registraram ganhos, acompanhando o movimento observado nos mercados globais.

Altcoins acompanham recuperação do mercado

O ambiente mais favorável ao risco beneficiou também as principais altcoins. O Ethereum avançava 3%, negociado a US$ 1.726, enquanto o XRP registrava alta de 3,5%.

Já a Solana liderava os ganhos entre os principais ativos acompanhados na reportagem, com valorização de 4,4%. A BNB, por sua vez, apresentava avanço mais moderado de 0,6%.

AtivoVariação
Bitcoin+1,7%
Ethereum+3,0%
XRP+3,5%
Solana+4,4%
BNB+0,6%

O desempenho conjunto reforça que o movimento não esteve ligado apenas a fatores específicos do Bitcoin, mas sim a uma melhora mais ampla no apetite por risco dos investidores.

Acordo entre EUA e Irã reduz pressão sobre o petróleo

De acordo com informações divulgadas pela imprensa americana, o acordo entre os dois países deverá entrar em vigor na próxima sexta-feira, 19 de junho.

Segundo declarações atribuídas ao presidente Donald Trump, os Estados Unidos suspenderão o bloqueio naval e o Estreito de Ormuz será reaberto após a formalização do acordo. A região é considerada uma das rotas mais importantes para o transporte global de petróleo.

A perspectiva de normalização do fluxo de petróleo provocou forte queda nos preços da commodity. Os contratos futuros do WTI recuaram 4,84%, para US$ 80,77 por barril, enquanto o Brent caiu 4,33%, para US$ 83,53 por barril.

A redução das tensões geopolíticas diminuiu os receios de novos choques inflacionários e ajudou a impulsionar ativos considerados mais sensíveis ao apetite por risco.

Analistas apontam mudança de percepção de risco

Para Dominick John, analista da Zeus Research, o movimento observado nos mercados foi consequência direta da reavaliação dos riscos geopolíticos pelos investidores.

Segundo ele, a combinação entre o acordo de paz e a perspectiva de reabertura do Estreito de Ormuz estimulou uma rotação de capital para ativos de maior risco. O analista ressaltou, porém, que o movimento estaria mais relacionado ao posicionamento dos investidores do que a mudanças estruturais nos fundamentos econômicos.

Avaliação semelhante foi apresentada por Min Jung, pesquisador associado da Presto Research. Na visão dele, Bitcoin e Ethereum avançaram principalmente porque a notícia reduziu os temores sobre uma escalada do conflito entre os dois países.

As análises destacam que o mercado respondeu rapidamente ao novo cenário, refletindo expectativas de menor volatilidade macroeconômica nas próximas semanas.

ETFs de Bitcoin voltam a receber recursos

Além do fator geopolítico, o mercado recebeu suporte adicional dos ETFs de Bitcoin negociados nos Estados Unidos.

Na sexta-feira anterior, os fundos registraram US$ 85,9 milhões em entradas líquidas, o maior fluxo positivo desde 14 de maio. O dado chamou atenção porque interrompeu uma sequência negativa que havia acumulado mais de US$ 400 milhões em saídas líquidas ao longo de quatro sessões consecutivas.

O retorno das entradas é acompanhado de perto pelos investidores porque os ETFs representam uma das principais portas de entrada de capital institucional para o mercado de Bitcoin.

Embora um único dia positivo não seja suficiente para definir uma tendência de longo prazo, o dado contribuiu para melhorar o sentimento do mercado em um momento de recuperação dos preços.

Estrutura técnica favorece possível continuação da alta

Outro fator destacado na reportagem foi a leitura técnica apresentada por André Franco, CEO da Boost Research.

Segundo ele, o mercado apresenta uma combinação de alto open interest com taxas de financiamento em queda, configuração que historicamente costuma aparecer em momentos de reversão de tendência.

Na avaliação do executivo, esse cenário indica que muitos participantes permanecem posicionados na baixa enquanto os preços começam a subir. Quando isso acontece, aumenta a possibilidade de um short squeeze, fenômeno em que vendedores são forçados a encerrar posições, alimentando ainda mais a valorização do ativo.

Embora a continuidade do movimento dependa de novos fluxos e das condições macroeconômicas, a combinação entre melhora geopolítica, entrada de recursos nos ETFs e indicadores técnicos mais favoráveis ajudou o Bitcoin a recuperar o patamar dos US$ 65 mil no início da semana.