CPI dos EUA impulsiona recuperação do Bitcoin
O mercado de criptomoedas reagiu positivamente à divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos Estados Unidos nesta terça-feira (14). Após o relatório mostrar uma desaceleração maior do que a esperada na inflação americana, o Bitcoin voltou a ser negociado acima de US$ 64 mil, recuperando parte das perdas registradas nas últimas sessões.
No início da tarde, a maior criptomoeda do mercado era negociada próxima de US$ 64.740, acumulando alta de 2,1% no dia, segundo dados do CoinGecko. O movimento ocorreu logo após a publicação dos números oficiais pelo Departamento de Estatísticas do Trabalho dos Estados Unidos (Bureau of Labor Statistics).
Apesar da recuperação do Bitcoin, o Ethereum apresentou desempenho ainda mais forte. A segunda maior criptomoeda do mercado avançava 5,4%, sendo negociada em torno de US$ 1.890 no mesmo período.
Inflação desacelera mais do que o mercado esperava
O principal fator por trás da alta das criptomoedas foi o resultado do CPI de junho.
Segundo o relatório oficial, o índice registrou queda de 0,4% na comparação mensal, enquanto economistas consultados pelo mercado projetavam uma retração de apenas 0,1%. O indicador acompanha a variação dos preços de uma ampla cesta de bens e serviços consumidos pelas famílias americanas.
Além do resultado mensal, a inflação anual também mostrou desaceleração. O índice caiu para 3,5%, marcando a primeira redução em cinco meses.
O relatório apontou que a queda foi impulsionada principalmente pela redução dos custos de energia, fator que compensou os aumentos observados nos preços de alimentos e moradia.
Núcleo da inflação também reforça expectativa de estabilidade
Outro dado acompanhado de perto pelos investidores também apresentou melhora.
A chamada inflação núcleo, que exclui alimentos e energia por serem componentes mais voláteis, caiu para 2,6% nos doze meses encerrados em junho. No mês anterior, esse indicador estava em 2,9%.
A desaceleração representa uma retomada da tendência observada no início do ano. Em fevereiro, o núcleo da inflação havia atingido 2,5%, mas voltou a acelerar durante a primavera americana antes de registrar nova queda agora.
Esses números reforçaram a percepção de que a pressão inflacionária pode estar perdendo força, reduzindo a necessidade de uma resposta mais agressiva por parte do Federal Reserve.
Mercado reduz temor de alta imediata dos juros
Com os dados de inflação mais fracos, investidores passaram a acreditar que o Federal Reserve manterá a taxa básica de juros inalterada na próxima reunião de política monetária.
Segundo a ferramenta CME FedWatch, os traders passaram a apostar que o banco central americano deverá manter os juros na faixa entre 3,5% e 3,75% ainda neste mês.
Ao mesmo tempo, o mercado continua projetando uma elevação de 25 pontos-base em setembro, caso a inflação volte a apresentar sinais de pressão.
A expectativa de juros estáveis costuma favorecer ativos considerados de maior risco, como ações e criptomoedas, já que reduz a atratividade relativa dos títulos públicos americanos.
Especialistas acompanham inflação e conflito no Oriente Médio
Para Fabian Dori, diretor de investimentos (CIO) do banco de criptomoedas Sygnum, os novos dados representam um sinal positivo para o mercado de ativos digitais.
Segundo ele, o relatório oferece "a primeira indicação real" de que o impulso inflacionário provocado pela energia durante a primavera americana está diminuindo, em vez de continuar se expandindo.
Mesmo assim, o cenário permanece cercado por fatores de risco. O conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã continua sendo acompanhado pelos investidores por causa do impacto sobre os preços da energia.
De acordo com a reportagem, os militares americanos preparavam o restabelecimento do bloqueio aos portos iranianos às 16h (horário do leste dos EUA). A medida ocorre após dias de confrontos entre os países envolvendo o controle do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de transporte de petróleo.
Mercado continua atento aos próximos catalisadores
Apesar da melhora provocada pelo CPI, o mercado entende que a trajetória das criptomoedas continuará dependendo dos próximos dados econômicos e da evolução do cenário geopolítico.
O estrategista sênior de pesquisa da 21Shares, Matt Mena, afirmou que, caso as tensões envolvendo o Irã não se intensifiquem, os fundamentos do mercado podem continuar melhorando ao longo das próximas semanas.
Segundo ele, esse conjunto de fatores poderia favorecer um movimento em direção aos US$ 100 mil para o Bitcoin até o fim do trimestre, embora essa projeção dependa tanto da evolução da política monetária quanto da estabilidade do cenário internacional.
Enquanto isso, investidores seguem monitorando simultaneamente inflação, decisões do Federal Reserve e os desdobramentos do conflito no Oriente Médio, fatores que continuam influenciando diretamente o comportamento do Bitcoin e das demais criptomoedas.