O Bitcoin abriu esta quinta-feira (2 de julho de 2026) em recuperação depois de uma sequência de quedas que pressionou o mercado ao longo da última semana. Na manhã de hoje, a maior criptomoeda do mercado subia 3,9% em 24 horas, negociada a US$ 61.197, enquanto em reais era cotada a R$ 321.250, segundo dados do Portal do Bitcoin.
O movimento ocorreu depois de uma fala de Kevin Warsh, presidente do Federal Reserve, durante o fórum anual do Banco Central Europeu, realizado em Sintra, Portugal, na quarta-feira (1º de julho). Ao afirmar que “os riscos de inflação diminuíram”, Warsh ajudou a aliviar parte da pressão recente sobre os ativos de risco. O mercado também passou a reagir à queda brusca de ações ligadas à inteligência artificial e semicondutores na Ásia, setor que vinha concentrando boa parte do capital global nos últimos meses.
Bitcoin reage à fala de Kevin Warsh
A fala de Kevin Warsh foi o principal gatilho para a recuperação do Bitcoin no início do pregão desta quinta. Durante o evento em Sintra, o presidente do Fed disse que os riscos inflacionários estão perdendo força, mas reforçou que o banco central americano segue comprometido em levar a inflação de volta à meta de 2%.
Warsh, no entanto, evitou antecipar qual será a decisão da autoridade monetária na próxima reunião do Fed, prevista para o fim de julho. Segundo ele, os formuladores de política monetária vão primeiro avaliar os dados mais recentes antes de decidir se mantêm os juros ou adotam outro caminho.
Para o mercado cripto, o comentário foi suficiente para reduzir parte do receio de uma postura ainda mais agressiva do Fed. Como o Bitcoin vinha de uma sequência de quedas e de um mês muito fraco em junho, qualquer sinal de alívio no cenário de inflação e juros acabou servindo como combustível para uma recuperação técnica.
Preço do Bitcoin e desempenho das principais criptomoedas
A alta do Bitcoin puxou também o restante do mercado nesta manhã. Além do BTC a US$ 61.197, outras grandes criptomoedas acompanharam o movimento de recuperação, embora em ritmos diferentes.
O Ethereum também avançou 3,9%, negociado a US$ 1.643. Já o XRP subia 2,9%, enquanto a Solana liderava os ganhos entre os principais ativos com alta de 5,5%. A BNB avançava 1,7%, mas sem protagonismo no movimento.
O que chama atenção é que a recuperação aconteceu logo após um período de forte pressão sobre o mercado. Na véspera, o Bitcoin ainda operava abaixo de US$ 60 mil, em um ambiente de saídas de ETFs, cautela com juros e enfraquecimento do apetite por risco.
Queda de ações de IA na Ásia ajudou o mercado cripto
Outro ponto importante para entender a alta do Bitcoin nesta quinta foi a forte correção nas ações de tecnologia asiáticas, especialmente as ligadas a semicondutores e inteligência artificial. O mercado de ações da Coreia do Sul passou por uma nova onda de vendas, com o índice Kospi recuando quase 8%.
Entre os papéis mais pressionados estavam Samsung Electronics e SK Hynix, que caíram mais de 6% cada. No Japão, a Kioxia recuou 13% após uma valorização acumulada superior a 650% no ano.
Esse movimento reacendeu no mercado a leitura de que parte do rali das empresas ligadas à IA pode ter ido longe demais em 2026. Para o mercado cripto, isso é relevante porque o setor de inteligência artificial vinha funcionando como um concorrente direto pela liquidez global. Ao longo do trimestre, boa parte do capital que poderia ter migrado para Bitcoin e outras criptomoedas ficou concentrada em ações de chips, infraestrutura e empresas ligadas à tese de IA.
Rotação de capital pode aliviar pressão sobre o Bitcoin
A reportagem destaca que o setor de IA foi o principal destino do fluxo de capital durante o trimestre, justamente enquanto o Bitcoin acumulava perdas consecutivas. O mercado cripto terminou o primeiro semestre sob forte pressão, e o BTC passou por uma sequência rara de quedas trimestrais consecutivas, algo que, segundo o texto, aconteceu apenas pela terceira vez na história.
Na prática, isso significa que o Bitcoin não sofreu apenas com fatores internos do mercado cripto, como saídas de ETFs ou realização de lucros. Houve também uma disputa clara por atenção e capital com a bolsa americana e asiática, especialmente em papéis ligados a fabricantes de chips e infraestrutura de inteligência artificial.
Se essa tese de tecnologia começar a perder força, parte desse dinheiro pode voltar a procurar outros ativos de risco. O Bitcoin é um dos candidatos naturais a capturar uma parcela dessa rotação, principalmente se o ambiente macro continuar dando sinais de menor pressão inflacionária.
Petróleo cai e melhora o pano de fundo macro
Além da fala de Warsh e da correção nas ações de tecnologia, o mercado também acompanhou uma queda no petróleo. O barril do tipo Brent recuou para cerca de US$ 70,60, o nível mais baixo desde o fim de fevereiro, antes do início do conflito no Oriente Médio.
Segundo a reportagem, a queda do petróleo aconteceu com a normalização do tráfego no Estreito de Ormuz, um dos pontos mais sensíveis do comércio global de energia. Esse recuo é relevante porque preços mais baixos de petróleo tendem a aliviar o temor de inflação importada, o que conversa diretamente com a postura do Fed.
Para o Bitcoin, esse pano de fundo importa bastante. Nos últimos meses, o mercado vinha sendo pressionado por uma combinação de juros altos, tensão geopolítica e commodities energéticas em alta. Qualquer sinal de alívio nesses três pontos ajuda a reduzir o desconto exigido pelos investidores para voltar a comprar ativos voláteis.
O que o trader deve monitorar depois da volta aos US$ 61 mil
Apesar da alta desta quinta, o movimento ainda precisa ser tratado com cautela. A recuperação para US$ 61 mil é relevante porque recoloca o Bitcoin acima de um nível psicológico importante depois de uma semana fraca, mas sozinha ainda não muda a estrutura mais ampla do mercado.
Para os próximos dias, os pontos principais continuam sendo:
- a reação do mercado aos próximos dados de inflação e atividade nos Estados Unidos;
- o tom do Federal Reserve até a reunião do fim de julho;
- a continuidade ou não da correção em ações de IA e semicondutores;
- o comportamento do petróleo e do risco geopolítico no Oriente Médio.
No curto prazo, a leitura mais objetiva é que o Bitcoin ganhou um respiro. O gatilho veio de fora do mercado cripto — com Fed, petróleo e ações de tecnologia no centro da narrativa —, mas o efeito prático foi devolver o BTC à faixa dos US$ 61 mil. Para o investidor e para o trader brasileiro, o ponto agora é observar se essa retomada vira continuidade ou apenas um alívio dentro de um mercado ainda pressionado.