Bitcoin perde suporte dos US$ 60 mil
O Bitcoin voltou a pressionar uma das regiões mais acompanhadas pelos traders em 2026. Na tarde desta quarta-feira (24), a criptomoeda rompeu momentaneamente o nível de US$ 60.000, faixa que havia servido de suporte no início do mês.
Depois daquele teste anterior, o ativo conseguiu reagir e avançou até US$ 67.250, mas não sustentou o movimento de recuperação. O retorno da pressão vendedora levou o BTC novamente para perto dos menores níveis observados nos últimos meses.
Segundo dados do TradingView, o preço atingiu seu patamar mais baixo desde outubro de 2024, período que antecedeu a última eleição presidencial dos Estados Unidos.
A perda desse suporte ocorre em um momento de cautela crescente entre investidores de ativos de risco, que acompanham mudanças no cenário macroeconômico global.
Fed e ações de tecnologia aumentam pressão sobre o mercado
Nas últimas semanas, alguns fatores macroeconômicos ajudaram a aumentar a volatilidade do Bitcoin.
O acordo entre Estados Unidos e Irã contribuiu inicialmente para reduzir os preços do petróleo, cenário que chegou a beneficiar ativos de risco. Porém, o alívio durou pouco.
Posteriormente, declarações do novo presidente do Federal Reserve (Fed) indicando uma postura monetária mais rígida aumentaram as preocupações do mercado. Como consequência, o Bitcoin caiu para a região de US$ 62.500 ainda na semana passada.
Outro fator citado pela reportagem foi a forte correção das ações de grandes empresas de tecnologia na terça-feira (23). O movimento atingiu os mercados globais e ampliou a pressão sobre criptomoedas durante o pregão desta quarta-feira.
Mercado futuro registra mais de 166 mil liquidações
A queda do Bitcoin desencadeou uma nova onda de liquidações em plataformas de derivativos.
Dados da CoinGlass mostram que 166.904 traders tiveram posições encerradas automaticamente nas últimas 24 horas. O volume total liquidado alcançou US$ 845,64 milhões.
A maior liquidação individual registrada no período ocorreu em uma grande exchange, envolvendo o par BTC/USDT, com prejuízo de US$ 12,01 milhões.
O volume de liquidações evidencia o elevado uso de alavancagem por parte dos participantes do mercado, especialmente após semanas de forte volatilidade.
Ethereum, Solana e XRP acompanham a queda
A pressão não ficou restrita ao Bitcoin. As principais criptomoedas do mercado também registraram perdas relevantes durante a sessão.
O Ethereum acumulou queda de 5,4% nas últimas 24 horas, aproximando-se novamente da região de US$ 1.500, considerada um suporte importante pelos investidores.
Já entre as demais moedas de grande capitalização, os recuos observados foram:
- BNB: -4,0%
- XRP: -3,8%
- Solana: -5,2%
O desempenho negativo se espalhou por praticamente todo o mercado. Entre as 100 maiores criptomoedas por valor de mercado, apenas Morpho e Aave conseguiram registrar ganhos, avançando 2,7% e 2,5%, respectivamente.
Os dados divulgados pelo CoinMarketCap mostraram um cenário predominantemente vermelho ao longo do dia.
Ethereum Foundation também enfrenta mudanças
Além da pressão de mercado, o ecossistema Ethereum passou por acontecimentos relevantes nesta semana.
A Ethereum Foundation anunciou a demissão de aproximadamente 20% de sua equipe, justificando a medida como parte de um processo de reestruturação interna.
Ao mesmo tempo, integrantes da comunidade lançaram uma nova organização chamada Ethlabs, com o objetivo de apoiar o desenvolvimento do protocolo Ethereum.
Embora os eventos não tenham sido apontados como a principal causa da queda do ETH, eles ocorreram em um momento de fragilidade do mercado e aumentaram a atenção dos investidores sobre o projeto.
IA, inflação e ciclo de mercado entram no radar dos investidores
A reportagem também destaca fatores estruturais que vêm sendo associados à fraqueza recente do Bitcoin.
Um deles é o avanço do setor de Inteligência Artificial, citado por nomes como Michael Saylor e a BlackRock como uma possível explicação para a migração de parte do capital para empresas ligadas ao segmento.
Outro elemento mencionado é o aumento da inflação global impulsionado pela alta do petróleo nos últimos meses. Esse cenário levou diversos bancos centrais a adotarem políticas monetárias mais restritivas, reduzindo o apetite por ativos considerados mais arriscados.
Além disso, alguns analistas continuam observando o tradicional ciclo de quatro anos do Bitcoin. Embora não exista consenso sobre sua influência atual, a coincidência temporal entre o enfraquecimento dos preços e essa dinâmica segue sendo acompanhada pelo mercado.