Cobra relaciona política de Trump ao desempenho do Bitcoin
Cobra, conhecido por administrar o Bitcoin.org, publicou em suas redes sociais uma análise sobre o atual ciclo de baixa do mercado. Segundo ele, o Bitcoin estaria em uma situação melhor caso Donald Trump não tivesse vencido as eleições presidenciais dos Estados Unidos.
A declaração foi feita em 5 de junho de 2026, quando o Bitcoin era negociado próximo de US$ 60.900. Na avaliação de Cobra, uma eventual presidência de Kamala Harris teria resultado em um mercado mais estável, ainda que sem uma grande corrida de alta.
O argumento chamou atenção porque Trump construiu parte de sua campanha prometendo transformar os Estados Unidos na "capital mundial das criptomoedas", atraindo apoio de investidores e empresas do setor.
Mesmo assim, Cobra acredita que determinados eventos políticos e geopolíticos ocorridos após a eleição acabaram pressionando os mercados financeiros e, consequentemente, o Bitcoin.
Bitcoin saiu do topo histórico para uma correção de 52%
Os números mostram uma forte mudança de cenário desde a eleição americana. Após a vitória de Trump, o Bitcoin avançou cerca de 82,2% entre novembro de 2024 e outubro de 2025, atingindo seu recorde histórico de US$ 126.250.
Desde então, entretanto, a criptomoeda perdeu aproximadamente 52% de valor, retornando para a região dos US$ 60 mil. Em comparação com o resultado eleitoral divulgado em 6 de novembro de 2024, a queda acumulada era de 12,1% no momento da publicação da matéria.
A forte correção levou parte da comunidade a discutir quais fatores tiveram maior peso na mudança de tendência observada nos últimos meses.
Liquidação histórica de outubro marcou o mercado
Um dos pontos centrais da análise de Cobra envolve os acontecimentos de 10 de outubro de 2025, data considerada um dos momentos mais turbulentos da história recente do mercado cripto.
Segundo dados da CoinGlass, as liquidações somaram US$ 19,2 bilhões em apenas um dia. O volume superou com folga eventos históricos anteriores e se tornou o maior episódio de liquidações já registrado no setor.
De acordo com a reportagem, o movimento começou após Trump anunciar uma tarifa de importação de 100% sobre produtos vindos da China. O anúncio gerou forte aversão ao risco nos mercados globais, afetando ações, commodities e criptomoedas.
Cobra argumenta que esse episódio provavelmente não teria ocorrido sob uma administração diferente, motivo pelo qual acredita que o Bitcoin teria apresentado desempenho superior.
Guerra no Oriente Médio e inflação entram no debate
Outro fator citado pelo administrador do Bitcoin.org envolve os desdobramentos geopolíticos no Oriente Médio.
Segundo a reportagem, o governo Trump acabou envolvido em conflitos que culminaram no bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã. O evento provocou uma disparada de 78% no preço do petróleo durante a primeira semana de março de 2026.
A alta do petróleo teve reflexos diretos sobre combustíveis e custos logísticos. Como consequência, alimentos e outros produtos passaram a registrar aumentos de preços em diversos países.
Para investidores, o principal impacto aparece na política monetária. Com a inflação mais resistente, cresce a expectativa de manutenção ou até aumento das taxas de juros por parte do Federal Reserve e de outros bancos centrais.
Juros elevados costumam reduzir o apetite por ativos considerados mais arriscados, incluindo criptomoedas.
Comunidade se divide sobre cenário alternativo
A publicação de Cobra gerou debate entre investidores nas redes sociais. Enquanto alguns seguidores acreditam que o Bitcoin estaria negociando em níveis muito inferiores caso Kamala Harris tivesse vencido, outros defendem que o preço atual seria praticamente o mesmo.
O próprio Cobra apresentou uma visão intermediária. Segundo ele, o mercado poderia estar mais estável e próximo de US$ 100 mil, mas sem necessariamente vivenciar um ciclo especulativo tão intenso quanto o visto entre 2024 e 2025.
A discussão evidencia como fatores macroeconômicos e políticos continuam influenciando a percepção dos investidores sobre o mercado de criptomoedas.
Embora seja impossível comprovar cenários alternativos, o debate ganhou força justamente porque coincide com uma das maiores correções do Bitcoin desde o último topo histórico.
Mercado observa próximos movimentos dos bancos centrais
Além das discussões políticas, investidores seguem atentos aos próximos passos dos bancos centrais. A combinação entre inflação elevada, petróleo caro e crescimento econômico mais lento continua sendo acompanhada de perto pelos participantes do mercado.
No curto prazo, o foco permanece sobre decisões de juros e indicadores de inflação dos Estados Unidos. Esses dados tendem a influenciar diretamente a liquidez disponível para ativos de risco.
Para o Bitcoin, a questão central não está apenas em eventos políticos específicos, mas também na capacidade do mercado global de recuperar confiança após meses de volatilidade elevada.
Enquanto isso, o ativo segue negociado próximo de níveis considerados críticos por muitos analistas, mantendo o debate macroeconômico no centro das atenções.