Baleia de Bitcoin volta a movimentar carteira após 8,5 anos
Uma das carteiras antigas da rede Bitcoin voltou a registrar atividade depois de permanecer sem movimentações desde 14 de dezembro de 2017. Na quinta-feira, o endereço transferiu 5.907,56 BTC, equivalentes a aproximadamente US$ 383,6 milhões, ou cerca de R$ 1,9 bilhão, para uma nova carteira.
Segundo a Galaxy Research, a transação foi registrada no bloco 958217 da blockchain do Bitcoin, por volta das 00:15 UTC. Os bitcoins foram enviados integralmente para um endereço que ainda não havia sido identificado anteriormente, sem passar por uma carteira conhecida de exchange.
Esse detalhe chamou atenção dos analistas porque reduz a hipótese de que o investidor tenha vendido imediatamente os ativos no mercado.
Galaxy estima valorização de 291% desde 2017
A Galaxy Research calcula que os bitcoins foram adquiridos quando o preço médio da criptomoeda girava em torno de US$ 17.000 por unidade, no final de 2017.
Com a valorização acumulada desde então, os ativos teriam registrado um ganho aproximado de US$ 285,5 milhões, o que representa uma valorização de cerca de 291% em relação ao custo estimado de aquisição.
Embora a movimentação envolva uma quantia expressiva, não há evidências de que os bitcoins tenham sido enviados para venda, já que o destino não corresponde a um endereço conhecido de custódia de exchanges.
Carteira foi ligada ao caso Noah Doe
Na análise publicada após a transação, a Galaxy Research identificou o endereço de origem como "Noah Doe #27 – Salomon Client Dusted".
Segundo a empresa, a carteira faz parte do conjunto de endereços estudados durante a investigação relacionada ao processo conhecido como Noah Doe, divulgado em um relatório publicado em maio de 2026.
O caso envolve um autor anônimo que reivindica judicialmente a propriedade de aproximadamente 3,8 milhões de bitcoins dormentes. A ação cita mais de 39.000 endereços inativos, incluindo carteiras que muitos pesquisadores acreditam pertencer ao criador do Bitcoin, Satoshi Nakamoto, sob a alegação de que esses ativos teriam sido abandonados.
A Galaxy apenas relacionou o endereço ao estudo realizado anteriormente. A movimentação divulgada não representa uma decisão judicial nem altera a disputa envolvendo esses bitcoins.
Mudança para endereço moderno reduz custos
Outro aspecto observado na transação foi a alteração do formato da carteira.
Os bitcoins deixaram um endereço legado iniciado pelo número "1" e foram enviados para um endereço iniciado por "bc1q", padrão mais moderno utilizado atualmente na rede Bitcoin.
Esse formato oferece vantagens operacionais, incluindo taxas de transação potencialmente menores e compatibilidade com padrões mais recentes das carteiras digitais. Por esse motivo, diversos investidores de longo prazo vêm atualizando a estrutura de armazenamento de seus ativos sem que isso represente intenção de negociação.
A simples troca do tipo de endereço, portanto, não pode ser interpretada como sinal de venda ou distribuição dos bitcoins.
Grandes carteiras seguem sendo monitoradas
Movimentações envolvendo grandes detentores costumam receber atenção porque uma baleia de Bitcoin normalmente é definida como um indivíduo ou entidade que controla pelo menos 1.000 BTC.
Como todas as transações ficam registradas publicamente na blockchain, empresas de análise acompanham essas movimentações para identificar possíveis mudanças no comportamento dos investidores de longo prazo.
A reportagem lembra que, em dezembro, antigos detentores começaram a transferir bilhões de dólares em Bitcoin após a criptomoeda ultrapassar US$ 100.000. Na ocasião, J.A. Maartun, analista da CryptoQuant, descreveu o movimento como uma "grande redistribuição", em que bitcoins mantidos durante muitos anos passaram gradualmente para novos proprietários.
Outro exemplo citado ocorreu em janeiro de 2026, quando uma carteira da chamada era Satoshi movimentou 2.000 BTC, avaliados em aproximadamente US$ 180 milhões, para a Coinbase, encerrando mais de uma década de inatividade. Dados da CryptoQuant indicavam ainda que as chamadas novas baleias institucionais controlavam cerca de US$ 130 bilhões em Bitcoin, superando os aproximadamente US$ 126 bilhões mantidos pelas baleias tradicionais de longo prazo.