CertiK registra alta nos ataques físicos contra holders

A empresa de segurança blockchain CertiK identificou 52 ataques físicos do tipo "wrench attack" durante o primeiro semestre de 2026. Nesse tipo de crime, criminosos utilizam violência física ou ameaças para obrigar vítimas a transferirem seus criptoativos.

O número representa um crescimento de aproximadamente 33% em relação aos 39 casos registrados no mesmo período de 2025. Mais expressivo ainda foi o aumento da exposição financeira associada aos ataques, que passou de US$ 10,5 milhões para US$ 124,1 milhões.

Segundo a CertiK, esse valor não corresponde exclusivamente ao montante efetivamente roubado. A métrica também considera pedidos de resgate, ativos posteriormente recuperados ou congelados e outros valores envolvidos nas ocorrências. A empresa ressalta ainda que existe forte subnotificação, já que muitas vítimas evitam denunciar os crimes por receio de represálias ou danos à reputação.

Indicador1º semestre 20251º semestre 2026
Ataques registrados3952
Exposição financeiraUS$ 10,5 milhõesUS$ 124,1 milhões
Valor médio por incidenteUS$ 270 milUS$ 2,39 milhões

Invasões domiciliares passam a dominar os casos

O relatório destaca que a principal mudança observada em 2026 foi o crescimento das invasões a residências.

Enquanto apenas um caso desse tipo havia sido divulgado no primeiro semestre de 2025, o número saltou para 20 ocorrências no mesmo período de 2026. Isso representa aproximadamente 41% de todos os ataques analisados.

Segundo a CertiK, os criminosos passaram a mirar não apenas os ativos digitais das vítimas, mas também seu ambiente familiar. O objetivo é exercer pressão psicológica utilizando familiares, residência e bens pessoais para forçar a entrega das criptomoedas.

Os sequestros também permaneceram elevados, aumentando de 12 para 16 casos. Além disso, o relatório registra um homicídio relacionado a esse tipo de crime em cada um dos dois períodos analisados.

França se torna principal foco dos criminosos

A distribuição geográfica dos ataques mostra uma concentração significativa na Europa Ocidental.

Segundo a CertiK, 75% dos incidentes verificados ocorreram na Europa, enquanto a França respondeu sozinha por 33 casos, cerca de 64% de todos os ataques registrados mundialmente no levantamento.

A empresa relaciona essa concentração a dois fatores principais:

Esses bancos de dados, segundo a CertiK, passaram a servir como ponto de partida para a seleção de alvos pelos grupos criminosos.

Organizações criminosas utilizam dados vazados

O relatório descreve uma estrutura criminosa mais sofisticada do que em anos anteriores.

De acordo com a CertiK, grupos organizados atuam em diferentes níveis. Os organizadores seriam responsáveis por adquirir bancos de dados vazados, selecionar vítimas e coordenar a logística dos crimes. Já a execução costuma ficar a cargo de operadores recrutados, muitas vezes jovens, por aplicativos de mensagens.

Os criminosos também combinam diferentes fontes de informação para montar os chamados "pacotes de alvos", utilizando:

Segundo a empresa, reduzir a exposição de informações pessoais tornou-se uma medida importante de segurança física para investidores em criptomoedas.

Segurança vai além da carteira de hardware

A CertiK afirma que medidas tradicionais de proteção digital podem ser insuficientes diante desse tipo de ameaça.

Mesmo usuários que utilizam carteiras de hardware ou armazenam corretamente suas seed phrases continuam vulneráveis caso sejam obrigados fisicamente a desbloquear seus dispositivos.

Como alternativa, o relatório recomenda mecanismos adicionais, incluindo:

Essas medidas procuram reduzir a possibilidade de que um único indivíduo consiga movimentar imediatamente grandes quantidades de criptomoedas sob ameaça.

Casos recentes reforçam preocupação das autoridades

O levantamento cita diversos episódios ocorridos na França ao longo dos últimos meses.

Entre eles está o sequestro do cofundador da Ledger, David Balland, e de sua esposa em janeiro de 2025. Segundo o relatório, os sequestradores chegaram a amputar um dos dedos do executivo para exigir um resgate multimilionário em euros antes de ambos serem libertados pela polícia.

Em fevereiro de 2026, seis pessoas — incluindo um menor de idade — foram presas após o sequestro de uma magistrada e de sua mãe em uma tentativa de obtenção de resgate envolvendo criptomoedas.

Outro caso citado ocorreu nos arredores de Paris, quando dois adolescentes foram acusados de tentar sequestrar a esposa de Sébastien Borget, cofundador da The Sandbox, utilizando uma arma falsa e abraçadeiras plásticas. A tentativa foi interrompida após a intervenção de vizinhos.

Diante da escalada desses crimes, até abril as autoridades francesas haviam denunciado 88 suspeitos, dos quais mais de 10 eram menores de idade, distribuídos em 12 investigações. O governo francês também anunciou medidas para ampliar a proteção de empresários e investidores ligados ao setor de criptomoedas.